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Discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole será uma correção de rumo ou um desvio?

Discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole será uma correção de rumo ou um desvio?

Reuters

28/08/2026

Placeholder - loading - Chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, chega ao jantar de abertura do simpósio econômico anual do Federal Reserve de Kansas City em Jackson Hole  27 de agosto de 2026. Foto tirada com um celular. REUT
Chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, chega ao jantar de abertura do simpósio econômico anual do Federal Reserve de Kansas City em Jackson Hole 27 de agosto de 2026. Foto tirada com um celular. REUT

Por Howard Schneider

JACKSON HOLE, WYOMING, 28 Ago (Reuters) - O chair do ​Federal Reserve, Kevin Warsh, falará para uma plateia de economistas e representantes de bancos centrais internacionais nesta sexta-feira, com investidores de todo o mundo atentos para que ele forneça mais detalhes sobre a economia, a recente volatilidade nos mercados de títulos e os riscos que pesam sobre as perspectivas para os Estados Unidos e o mundo.

O discurso de Warsh no prestigiado simpósio econômico do banco central dos EUA em Jackson Hole, no Wyoming, tornou-se um importante teste apenas três meses após o início de seu mandato como chair do Fed. A questão é se ele conseguirá manter sua abordagem de “menos é melhor” nas comunicações sobre política monetária ou se se sentirá compelido a fornecer pelo menos um roteiro aproximado de como vê a inflação elevada e — o ⁠que é fundamental — ⁠o que poderia levá-lo a concluir que uma taxa ​de juros ‌mais alta é necessária para contê-la.

É uma questão que outras autoridades do Fed têm se mostrado dispostos a discutir publicamente, muitas vezes em termos diretos. Essa abordagem mais aberta tem sido a norma em uma era de maior transparência do banco central, sendo que a relutância de Warsh em se aprofundar demais nos detalhes é vista como ⁠um elemento ausente.

Horas antes do jantar de abertura da conferência na noite de quinta-feira, alguns colegas ​de Warsh expuseram os argumentos que justificam por que os juros talvez precisem subir, incluindo o chair do Fed ​de Kansas City, Jeffrey Schmid, anfitrião do evento de Jackson Hole.

“Não sei ‌o que estamos restringindo atualmente ​com a ⁠taxa de juros que adotamos hoje”, disse ele em entrevista à CNBC, indicando que considera que a taxa atual do Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, não está contendo os gastos e os investimentos como seria necessário para desacelerar a ​inflação. A inflação “continua teimosa e persistente, e precisamos continuar buscando maneiras de superá-la”, disse ele.

“Agora é a hora de agir”, disse a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, em outra entrevista à CNBC, enquanto a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, mostrou-se mais cautelosa.

Em entrevista à Reuters, Collins disse que os dados recentes sobre a inflação são “contraditórios”, com a inflação permanecendo ​alta demais, mas os detalhes mostrando alguns sinais mais promissores, e a necessidade de um aumento da taxa de juros ainda sendo uma questão em aberto.

A discussão sobre um possível aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros pode parecer trivial em termos de influência imediata sobre a economia, cujas perspectivas de crescimento pareceram melhorar nesta semana após a divulgação de dados sólidos sobre gastos do consumidor e pedidos de bens duráveis em julho.

Mas Warsh, neste momento, precisa deixar claro que está disposto a fazer o que for necessário caso a inflação permaneça significativamente acima da meta de 2% do Fed ou comece ​a subir novamente, afirmou Adam Posen, presidente do Instituto Peterson de Economia Internacional e ex-membro do comitê de política monetária do Banco ‌da Inglaterra.

“O que ele deveria fazer é citar a ⁠si mesmo em discursos anteriores, coletivas de imprensa e audiências de confirmação: ‘A inflação é a prioridade número um. Vários dos meus pares no Comitê (Federal de Mercado Aberto) manifestaram preocupações. Acho que essas preocupações são legítimas, e não deixaremos de agir ⁠no curto prazo’”, disse Posen.

Warsh começará a falar às 11h (horário de Brasília) em ⁠um discurso de abertura que dará início a dois dias ⁠de discussões em um fórum ⁠que, ​ao longo de quase meio século, evoluiu para se tornar um dos principais espaços para debates sobre bancos centrais e pesquisa econômica.

Reuters

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