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Dívida pública do Brasil sobe 1,9% em abril enquanto investidor busca proteção em título atrelado à Selic

Dívida pública do Brasil sobe 1,9% em abril enquanto investidor busca proteção em título atrelado à Selic

Reuters

27/05/2026

Placeholder - loading - Moedas de real retratadas no Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2010, REUTERS/Bruno Domingos
Moedas de real retratadas no Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2010, REUTERS/Bruno Domingos

Atualizada em  27/05/2026

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 27 Mai (Reuters) - A dívida pública do Brasil cresceu 1,91% ​em abril na comparação com o mês anterior sob efeito da despesa com juros e de um aumento nas emissões de títulos pelo governo, enquanto a volatilidade nos mercados tem levado investidores a buscar proteção, aumentando fortemente a demanda por títulos atrelados à taxa Selic.

A dívida pública federal do Brasil atingiu R$8,798 trilhões em abril, segundo dados do Tesouro Nacional apresentados nesta quarta-feira. O resultado reflete uma alta de 1,93% na dívida pública mobiliária interna, a R$8,462 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 1,28% e atingiu R$335,9 bilhões.

As emissões da dívida interna somaram R$201 bilhões em abril, maior valor em 12 meses, enquanto os resgates totalizaram R$133 bilhões. Como resultado, a emissão líquida no mês ficou em R$68 bilhões, valor que se somou a uma apropriação positiva de juros de R$92,5 bilhões.

Em meio ao cenário internacional volátil gerado pela guerra no Irã, o Tesouro disse que foi mantido o maior apetite dos investidores por títulos ⁠atrelados à Selic. Esses papéis ⁠acompanham a taxa básica de juros, sendo uma opção menos ​volátil do que ‌títulos com remuneração parcialmente ou integralmente prefixada, que sofrem variações de preço em resgates antecipados.

Em abril, os títulos flutuantes, atrelados à Selic, representaram 48,6% do estoque total da dívida, contra 47,7% um mês antes. Dados preliminares de maio mostram ainda que os títulos flutuantes tiveram participação relativa de 69,7% das novas emissões, contra 56% em abril.

'É natural que os investidores demandem mais esse título para tirar o risco do mercado, se ⁠protegerem em relação ao movimento de volatilidade', disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Helano Borges ​Dias.

O Plano Anual de Financiamento do Tesouro prevê que esse título responda neste ano por uma fatia de 46% a 50% do estoque, ​banda que Dias disse considerar 'suficiente' para acomodar mais emissões, ponderando que ela pode ser alterada ‌em setembro caso o Tesouro considere ​necessário.

O presidente ⁠do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicou nesta semana que a dependência do governo brasileiro de títulos atrelados à Selic na composição da dívida pode dificultar o trabalho da autarquia, já que elevações da Selic aumentam a renda dos detentores desses papéis e podem pressionar a inflação.

Dias reconheceu que esse é um dos fatores que ​poderia reduzir a potência da política monetária, junto com outros 'vários elementos', como o crédito direcionado, que obedece a regras do governo. Segundo ele, o Tesouro trabalha com a perspectiva de redução da parcela desses títulos no longo prazo.

'A gente entende que o processo de consolidação fiscal é fundamental para que a gente caminhe nessa direção, a gente vem fazendo esse trabalho', disse, argumentando que a própria curva de juros futuros indica que ainda há espaço para o BC cortar ​os juros básicos, hoje em 14,50% ao ano.

COLCHÃO DE LIQUIDEZ EM RECUPERAÇÃO

A reserva de liquidez --colchão de recursos para gestão da dívida pública-- se recuperou no mês, ao passar de R$885 bilhões em março para R$1,092 trilhão em abril, uma alta nominal de 23,3%. O valor é suficiente para quitar 8,91 meses de vencimentos de títulos, contra 5,69 registrados um mês antes.

Dias afirmou que o indicador dá conforto à gestão da dívida pública, com o Tesouro se preparando para uma torre relevante de vencimentos de títulos prevista para setembro. Depois, segundo ele, o último trimestre do ano será de alívio, com poucos vencimentos.

Apesar da volatilidade, o Tesouro apontou que perspectivas de um acordo entre EUA e Irã no mês de abril reduziram a aversão ao risco ao longo do mês ​passado, com recuperação de mercados emergentes no período.

De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve ‌uma ligeira alta no mês passado, indo de 12,20% ao ⁠ano em março para 12,22% ao ano.

O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 13,92% ao ano em março para 14,08% no mês passado.

Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de ⁠4,10 anos em março para 4,12 anos em abril.

Em relação ao mês de maio, a secretaria disse ⁠que a incerteza sobre a resolução do conflito entre Estados Unidos e Irã, ⁠combinada à expectativa de juros reais ⁠mais ​elevados nos EUA, elevou a aversão ao risco, com impacto negativo sobre mercados emergentes e elevação nos juros futuros do Brasil.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

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