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Dólar fecha em alta ante real com pressão externa e de olho em política econômica

Dólar fecha em alta ante real com pressão externa e de olho em política econômica

Reuters

05/11/2026

Placeholder - loading - Notas de dólar americano retratadas em Joanesburgo, em 13 de agosto de 2014,  REUTERS/Siphiwe Sibeko
Notas de dólar americano retratadas em Joanesburgo, em 13 de agosto de 2014, REUTERS/Siphiwe Sibeko

Atualizada em  05/11/2026

Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - O ​dólar encerrou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais, somado à cautela dos investidores locais em relação aos rumos da política econômica no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,67%, a R$5,4876.

Às 17h40, o dólar futuro para dezembro subia 0,60% na B3, aos R$5,5190.

O mau humor externo partiu do mercado acionário dos Estados Unidos, onde ações ligadas a inteligência artificial registraram ⁠quedas expressivas ⁠diante de temores de um maior ​escrutínio sobre ‌a expansão do setor com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA, além do avanço do petróleo no pregão desta quinta-feira.

Ao final do dia, o índice do dólar -- que mede o desempenho da ⁠moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,09%, a ​101,560.

'Com receio de perdas maiores, investidores passaram a reduzir posições em ativos de ​risco, incluindo moedas de países emergentes, e buscar ‌proteção no dólar. No ​Brasil, esse ⁠movimento ganhou força porque o mercado também está preocupado com a situação fiscal do país', disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da ​Silva se reuniu com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

O encontro aconteceu um dia após o ​Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano, e em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição, o que tem provocado turbulência em indicadores e cobranças de agentes do mercado e economistas.

Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva de resultados primários e ​possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou que medidas específicas não foram discutidas no encontro.

Ainda ‌na agenda doméstica, mas em segundo ⁠plano, os agentes também avaliaram dados econômicos. Pela manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil teve queda de 0,8% em setembro em comparação com o mês ⁠anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas ⁠era de retração de 0,2% no ⁠dado mensal. Esse foi ⁠o ​resultado mais fraco para meses de setembro desde 2022.

(Por Igor Sodré; edição de Isabel Versiani)

Reuters

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