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Dólar fecha em leve baixa apesar de reação negativa ao reajuste do Bolsa Família

Dólar fecha em leve baixa apesar de reação negativa ao reajuste do Bolsa Família

Reuters

17/09/2026

Placeholder - loading - Notas de dólar americano, 7 de novembro de 2016, REUTERS/Dado Ruvic
Notas de dólar americano, 7 de novembro de 2016, REUTERS/Dado Ruvic

Atualizada em  17/09/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 17 Set (Reuters) - O ​dólar fechou a quinta-feira em leve baixa no Brasil, após ter subido mais cedo com o mercado reagindo negativamente ao anúncio de reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal para este ano e o próximo estimado pelo governo em um total de R$27,8 bilhões.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,25%, a R$5,1392. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,37%.

Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,29% na B3, aos R$5,1515.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou pela manhã um reajuste de aproximadamente 15% ⁠nos benefícios ⁠do Bolsa Família, que já valerá para os ​pagamentos feitos ‌em outubro, levando o piso do programa a R$691 por família, de R$600 antes. Segundo a equipe econômica, o aumento assegura reposição da inflação no valor do benefício, que ainda não tinha sido reajustado no governo Lula. O custo estimado da medida é de R$5,8 ⁠bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.

A reação negativa do mercado ​foi imediata, com o dólar ganhando força e atingindo a máxima de R$5,1785 (+0,52%) às 10h41. Operador ​ouvido pela Reuters chamou a atenção justamente para o ‌aumento das despesas, em um ​cenário ⁠que já é de dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.

O anúncio do governo é mais um fator com potencial para impactar a disputa pela Presidência, em um momento em que Lula tem se enfraquecido ​nas pesquisas em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

No início do dia, a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou ligeiramente sua ​vantagem numérica. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4% e Lula somava 46,2%.

Nas últimas semanas, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem favorecido o chamado “trade eleitoral”, que se traduz na alta do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

Passado o primeiro impacto do anúncio do reajuste do Bolsa Família, o ​dólar perdeu força e se reaproximou da estabilidade. Durante a tarde, exibiu leves perdas, refletindo o crescimento de ‌Flávio nas pesquisas.

No exterior, a tarde também ⁠foi de baixa do dólar ante divisas pares do real como o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente ⁠a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,04%, a ⁠100,220.

No fim da manhã, sem efeito sobre as ⁠cotações, o Banco Central ⁠do ​Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para a rolagem de 1º de outubro.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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