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Dólar acompanha exterior e volta a fechar abaixo dos R$5,20

Dólar acompanha exterior e volta a fechar abaixo dos R$5,20

Reuters

25/06/2026

Placeholder - loading - Notas de real e dólar, 18 de dezembro de 2024, REUTERS/Amanda Perobelli
Notas de real e dólar, 18 de dezembro de 2024, REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  25/06/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 25 Jun (Reuters) - O dólar fechou a quinta-feira ​em queda e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão de certo alívio nas apostas de alta de juros pelo Federal Reserve.

No Brasil o dia foi de agenda cheia, com a divulgação de novos dados de inflação e projeções do Banco Central, além de entrevista coletiva com dirigentes da autarquia.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,39%, aos R$5,1805. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,62% ante o real.

Às 17h18, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,26% na B3, aos R$5,1815.

O dólar chegou a oscilar em leve alta ante o real no início do dia, mas logo depois engatou uma trajetória de perdas, em sintonia com a baixa das cotações também no exterior.

Pela manhã, a divulgação de números de ⁠inflação nos EUA ligeiramente ⁠abaixo do esperado por alguns investidores trouxe certo alívio nas ​apostas de ‌alta de juros pelo Federal Reserve, o que pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre o dólar ante boa parte das demais divisas.

Assim, a moeda norte-americana se firmou em queda ante divisas como o peso mexicano, o rand sul-africano e o real.

No Brasil, a queda do dólar também ocorreu em paralelo ao fortalecimento das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) no fim da manhã, em meio à ⁠coletiva de imprensa de dirigentes do Banco Central.

Na entrevista coletiva, o diretor Paulo Picchetti afirmou que o BC ​não está alongando o horizonte relevante para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso.

Segundo Picchetti, nas comunicações recentes ​a autarquia chamou atenção para o primeiro trimestre de 2028 porque avalia que o ‌choque de oferta gerado pela guerra ​no Oriente ⁠Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação, mas é insensível ao que o BC faz com os juros.

Picchetti -- que atualmente acumula as diretorias de Assuntos Internacionais e de Política Econômica do BC -- afirmou que um choque de juros 'não abriria o Estreito de Ormuz' nem afetaria o fenômeno ​El Niño, mas causaria uma desaceleração desordenada da atividade.

A discussão sobre o nível dos juros no Brasil, hoje em 14,25% ao ano, e nos Estados Unidos, na faixa de 3,50% a 3,75%, tem sido observada com atenção no mercado de câmbio, bastante sensível aos fluxos gerados pelo diferencial de juros.

Nos últimos meses, o diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores -- vinha ​sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos. Agora, a percepção é de que este diferencial pode cair.

Neste cenário, após marcar a cotação máxima de R$5,2204 (+0,38%) às 9h35, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1667 (-0,65%) às 13h26, mantendo-se no território negativo até o fechamento.

Antes da abertura do mercado, o BC divulgou seu Relatório de Política Monetária, elevando de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.

Já o saldo das transações correntes projetado pelo BC para 2026 passou de déficit de US$58 ​bilhões para US$56 bilhões (2,1% do PIB). A leve redução do déficit esperado foi resultado, conforme o BC, do aumento do saldo comercial (exportações menos importações) projetado para ‌o ano, na esteira do avanço dos preços do petróleo ⁠em função da guerra no Oriente Médio.

Como exportador da commodity, o Brasil tende a ver números melhores na balança comercial quando os preços do petróleo sobem. Por outro lado, o avanço dos preços do petróleo tende a pressionar a inflação.

Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro ⁠de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% ⁠em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ⁠ouvidos pela Reuters projetavam elevação de ⁠0,44% ​em junho.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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