Apesar de conflito em Israel, dólar fecha em baixa ante real em sintonia com exterior
Apesar de conflito em Israel, dólar fecha em baixa ante real em sintonia com exterior
Reuters
09/10/2023
Atualizada em 09/10/2023
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O conflito entre Israel e Hamas iniciado no fim de semana deu força ao dólar ante várias moedas, incluindo o real, no início desta segunda-feira, com investidores em busca de proteção, mas à tarde a divisa dos EUA perdeu força em todo o mundo e encerrou a sessão em baixa ante o real.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 5,1315 reais na venda, em baixa de 0,59%. Em outubro, a divisa dos EUA acumula alta de 2,07%.
Na B3, às 17:14 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,23%, a 5,1480 reais.
Os ataques do grupo palestino Hamas a Israel no sábado deixaram centenas de mortos e feridos, desencadeando reações dos israelenses que se estenderam por esta segunda-feira.
Nos mercados globais, os impactos foram percebidos em especial na alta firme do petróleo -- já que países do Oriente Médio estão entre os maiores produtores do mundo -- e no avanço inicial do dólar ante boa parte das demais divisas, com investidores procurando a proteção da moeda norte-americana.
Em paralelo ao movimento havia o receio de que, com o conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo disparem, impulsionando a inflação global.
No Brasil, a busca por proteção manteve o dólar no terreno positivo durante boa parte da sessão, embora o avanço ante o real fosse limitado. Profissionais citaram um movimento de venda de moeda por parte de exportadores quando as cotações estavam mais altas, o que segurava os preços. Ainda assim, no início da tarde o viés principal para o dólar era positivo, em sintonia com a alta da divisa dos EUA no exterior.
No meio da tarde, o cenário começou a mudar. Chamaram a atenção comentários do vice-chair do Federal Reserve, Philip Jefferson, de que o crescimento do emprego é uma 'coisa boa' no contexto do arrefecimento da demanda e da melhoria da oferta de mão de obra. Segundo Jefferson, um mercado de trabalho resiliente nos EUA levou a um gasto do consumidor mais forte do que ele esperava.
Também no meio da tarde, um alto funcionário do Hamas disse que o grupo está aberto a discussões sobre uma possível trégua com Israel, tendo 'alcançado seus objetivos'.
“Além desta notícia do Hamas, Jefferson soltou falas que foram interpretadas como mais 'dovish' (branda com a inflação). O dólar perdeu força lá fora e as bolsas melhoraram”, comentou Cleber Alessie Machado, gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM.
Com o índice do dólar migrando para o negativo, a moeda norte-americana à vista também passou a cair no Brasil, até encerrar abaixo dos 5,15 reais -- algo que não ocorria há uma semana.
No exterior, o dólar seguia em queda ante as moedas fortes e em relação a moeda parte das demais divisas.
Às 17:14 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,16%, a 106,050.
Reuters

