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Dólar tem forte queda frente ao real com alívio externo

Dólar tem forte queda frente ao real com alívio externo

Reuters

22/08/2023

Placeholder - loading - Notas de 100 dólares 07/02/2011 REUTERS/Lee Jae-Won/Archivo
Notas de 100 dólares 07/02/2011 REUTERS/Lee Jae-Won/Archivo

Atualizada em  22/08/2023

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar fechou em queda acentuada frente ao real nesta terça-feira, pressionado por cenário internacional mais favorável a ativos de risco em sessão sem grandes catalisadores, tendo como pano de fundo novas declarações de autoridades do Banco Central sobre a política monetária.

O dólar caiu 0,84%, a 4,9372 reais na venda, recuo mais acentuado desde 24 de julho (-0,98%). No entanto, a divisa ainda acumula alta de 4,40% até agora em agosto.

'A falta de catalisadores claros indica que a queda do dólar hoje reflete uma questão de fluxo, e não de fundamentos em si', disse à Reuters Eduardo Moutinho, analista de mercado da Ebury. 'Após os ganhos notáveis da moeda americana nos últimos dias, investidores estão realizando lucros', completou ele.

Segundo operadores, também ajudou o real a queda dos rendimentos dos títulos norte-americanos nesta sessão, após terem atingido máximas em 16 anos recentemente, impulsionados em grande parte por temores de que a resiliência da economia dos EUA levará o Federal Reserve a adiar seu ciclo de afrouxamento monetário.

'Para o câmbio de mercados emergentes, a volatilidade das taxas é mais importante do que o nível das taxas dos EUA, embora os riscos tenham aumentado', disse o Citi em relatório nesta terça-feira. 'A cesta de 'carry' do mercado de câmbio emergente deve permanecer bem comportada, dada a provável fraqueza contínua da Ásia, que está protegendo o lado comprado da América Latina.'

Juros mais altos nos Estados Unidos podem prejudicar o apelo de 'carry trade' de moedas consideradas arriscadas, que é o retorno adicional que investimentos denominados nessas divisas oferecem quando comparados a aplicações lastreadas em dólar.

'O simpósio de Jackson Hole esta semana certamente vai balizar o mercado e fazer preço no dólar, pois o mercado está avaliando talvez que o Fed precise manter a política restritiva de juros altos por mais tempo', disse Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

A conferência de banqueiros centrais de Jackson Hole, organizada anualmente pelo Fed, começa na quinta-feira e se encerra no sábado.

Enquanto isso, no Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que a batalha contra inflação no Brasil não está ganha e que a autoridade monetária precisa persistir com uma postura restritiva.

Já o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça que o Brasil tem espaço para cortar a Selic sem tirar a taxa de juros de patamar restritivo.

Após um rali do dólar frente ao real desde que o Copom cortou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual no início deste mês, Galípolo disse que a recente depreciação da taxa de câmbio está mais ligada a fatores globais.

Segundo ele, o Banco Central enfrenta a volatilidade no mercado de câmbio com seus tradicionais instrumentos de política cambial, como os leilões de swaps, assim como suas reservas. 'Ainda que você não as use, é um tema muito relevante para você poder ter linhas de defesa que sinalizam para o mercado uma robustez', disse Galípolo.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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