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Dólar fecha em alta no Brasil com acirramento das tensões no Oriente Médio

Dólar fecha em alta no Brasil com acirramento das tensões no Oriente Médio

Reuters

09/09/2026

Placeholder - loading - Cachorro em frente a uma casa de câmbio em Ciudad Juárez, no México, em 10 de fevereiro de 2026. REUTERS/José Luis González
Cachorro em frente a uma casa de câmbio em Ciudad Juárez, no México, em 10 de fevereiro de 2026. REUTERS/José Luis González

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 9 Set (Reuters) - O dólar ​fechou a quarta-feira em alta ante o real, em uma sessão marcada pelo acirramento da guerra no Oriente Médio, enquanto no Brasil os investidores estiveram atentos aos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,44%, a R$5,1114. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,88%.

Às 17h09, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,43% na B3, aos R$5,1350.

O dólar havia cedido ante o real em cinco das seis sessões anteriores, influenciado pelo avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais mais recentes, ainda que ele permaneça em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ⁠na disputa ⁠pelo Planalto.

Por trás do movimento está a percepção ​de parte ‌do mercado de que a saída de Lula da Presidência seria um fator favorável ao ajuste fiscal.

Nesta quarta-feira, no entanto, o dia foi de certa recomposição de posições em dólar após os recuos mais recentes.

Pela manhã, o ministro do STF Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo ⁠de diretor-geral da Polícia Federal, um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ​ordenado o afastamento dele do cargo. Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça, também ​foi reintegrado.

Mendonça está no centro de uma disputa com o ‌ministro do STF Alexandre de ​Moraes no ⁠âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio na disputa eleitoral com Lula.

No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O Irã informou nesta quarta-feira ter atacado ​dez navios no Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, opinou que a guerra com o Irã irá terminar apenas depois das eleições norte-americanas de novembro, já que Teerã estaria tentando influenciar a votação.

Neste cenário, o petróleo Brent superou os US$100 o barril e os ​rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio às preocupações com o efeito inflacionário da guerra.

Nos mercados de moedas, o dólar ganhou força ante o real e outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso chileno.

“Novos ataques no Golfo Pérsico levam o petróleo para cima com força, reacendendo o temor de pressão inflacionária global às vésperas de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos EUA”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito.

“Parte do movimento (do dólar) também reflete um ajuste técnico depois ​da forte queda recente da moeda americana por aqui. A proximidade das eleições no Brasil segue no radar dos investidores ‌como fonte de incerteza, o que ajuda ⁠a conter um avanço ainda maior do dólar”, acrescentou.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro. À tarde, ⁠o BC informou que o Brasil teve fluxo cambial total negativo de ⁠US$6,693 bilhões em setembro até o dia 4.

Às 17h16, ⁠o índice do dólar -- ⁠que ​mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,05%, a 98,829.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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