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Dólar fecha em baixa em dia de 'casadão' do BC no câmbio

Dólar fecha em baixa em dia de 'casadão' do BC no câmbio

Reuters

22/06/2026

Placeholder - loading - Notas de real brasileiro e dólar americano. 18/12/2024; REUTERS/Amanda Perobelli
Notas de real brasileiro e dólar americano. 18/12/2024; REUTERS/Amanda Perobelli

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 22 Jun (Reuters) - O dólar ​fechou a segunda-feira em baixa ante o real, em sessão que contou com duas operações cambiais simultâneas do Banco Central, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas.

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,45%, aos R$5,1413. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,33% ante o real.

Às 17h12, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,15% na B3, aos R$5,1565.

Os EUA e o Irã concordaram, conforme os mediadores Catar e Paquistão, com um roteiro para um acordo final que ponha fim ao conflito em até 60 dias. Ainda assim, investidores se mostravam preocupados com as ameaças do presidente ⁠norte-americano, Donald Trump, ⁠de retomada da guerra e com o anúncio ​de que ‌Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz.

No fim da tarde, com o mercado à vista já fechado, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto.

Neste cenário, o dólar sustentou ganhos ante divisas fortes como o euro e o iene, mas recuou ante a libra. Em relação aos países emergentes, ⁠o dólar caiu ante o peso colombiano e o real -- neste caso, após os fortes ​avanços da semana passada --, mas a moeda dos EUA se manteve em alta ante boa parte das ​demais divisas.

No Brasil, destaque para os dois leilões simultâneos realizados pelo ‌Banco Central no início da ​sessão, ⁠em que foram vendidos US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

As duas operações simultâneas são conhecidas ​como 'casadão' pelos investidores e visam oferecer liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

“Nossos modelos de previsão econométrica para o câmbio capturaram a mudança no humor em relação aos ativos brasileiros, com o BRL (real) ​sendo visto no patamar R$5,16, entre R$5,06 e R$5,25 (por dólar)”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, em relatório publicado pela manhã. “O casadão de hoje deve aliviar um pouco a pressão, mas o ambiente segue adverso para o risco Brasil”, acrescentou.

Também em relatório, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, afirmou que “o dólar está em tendência de alta de médio prazo, fato que dificulta recuo para perto de R$5,00”.

No fim da manhã, o BC fez uma terceira operação, na qual vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

No ​fim de semana, uma nova pesquisa Datafolha apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio ‌Bolsonaro (PL-RJ) na corrida para o Planalto, com 47% ⁠das intenções de voto no segundo turno, contra 43%. O resultado indicou estabilidade em relação à pesquisa anterior, publicada há um mês.

Os brancos e nulos somaram 8%, enquanto 1% não sabe em quem votar. A margem ⁠de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais para mais ou ⁠para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Às 17h11, ⁠o índice do dólar -- ⁠que ​mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,15%, a 100,990.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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