Dólar supera R$5,20 com discurso de Warsh em Jackson Hole
Dólar supera R$5,20 com discurso de Warsh em Jackson Hole
Reuters
28/08/2026
Atualizada em 28/08/2026
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 28 Ago (Reuters) - O dólar acelerou os ganhos no Brasil e superou os R$5,20 nesta manhã de sexta-feira, após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá 'trabalho a fazer' caso a inflação dos EUA siga acima da meta.
Após marcar a maior cotação até o momento na sessão de R$5,2140 (+0,97%), às 11h51 o dólar à vista subia 0,82%, a R$5,2062 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro -- o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,83%, aos R$5,2080.
Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou que o Fed “terá trabalho a fazer” se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está voltando à meta de 2%.
“Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho... nosso mandato... e nossa responsabilidade”, disse Warsh.
Os comentários foram a senha para que os rendimentos dos Treasuries subissem, com os investidores globais elevando as apostas de que o Fed poderá subir juros já este mês.
Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.
O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais, incluindo para o Brasil, o que se reflete na taxa de câmbio.
Com a Selic em 14% no Brasil, ainda bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, o diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o país. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da possibilidade de alta de juros nos EUA e da perspectiva de novas baixas no Brasil.
Na agenda local, o destaque será a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho, às 14h30. Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que os preços ao produtor no país caíram 0,83% em julho ante junho, levando o acumulado em 12 meses para alta de 1,94%.
(Edição de Camila Moreira e Isabel Versiani)
Reuters

