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Dólar sobe 1% ante real em sessão negativa para ativos brasileiros

Dólar sobe 1% ante real em sessão negativa para ativos brasileiros

Reuters

11/08/2026

Placeholder - loading - Um funcionário de banco recolhe notas de dólar 26 de janeiro de 2023 REUTERS/Athit Perawongmetha
Um funcionário de banco recolhe notas de dólar 26 de janeiro de 2023 REUTERS/Athit Perawongmetha

11 Ago (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira em alta ​de 1%, na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana rondava a estabilidade, com operadores domésticos avaliando nova pesquisa eleitoral que apontou a liderança do presidente Lula nas intenções de voto.

O dia, que também trouxe dados de inflação no Brasil e ata do Banco Central, foi negativo para os ativos brasileiros, com alta dos juros futuros e queda firme do Ibovespa -- que sofreu ainda o impacto de um rebaixamento de recomendação das ações brasileiras pelo banco JPMorgan.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 1,04%, aos R$5,1639, maior valor de fechamento desde 3 de julho (R$5,1688). Na semana, o dólar acumula alta de 1,56%.

Às 17h07, o contrato de dólar futuro para setembro -- atualmente ⁠o mais ⁠líquido no Brasil -- subia 1,06% na B3, a ​R$5,1875.

Pesquisa CNT/MDA ‌divulgada nesta terça-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

Lula mantém também a liderança no primeiro turno da disputa, com 42,4%, enquanto Flávio soma 28,7%. Nenhum outro candidato superou a ⁠marca de 4%.

'Observa-se que uma parcela relevante dos operadores avalia positivamente uma alternância na Presidência, ​na expectativa de que um eventual próximo governo possa adotar uma política fiscal mais responsável', disse Leonel ​Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX. 'Notícias ou ‌fatos que favoreçam uma perspectiva ​de reeleição ⁠do presidente Lula tendem a elevar a percepção de risco nos mercados, aumentando a exigência por prêmios de risco.'

Também nesta terça estrategistas do JPMorgan cortaram a classificação do Brasil no seu portfólio de ações para América Latina para 'neutra' ante 'overweight', ​conforme relatório a clientes, citando entre os argumentos uma perspectiva de fim do afrouxamento monetário no país. A equipe também destacou que o crescimento econômico está desacelerando e que o crédito está piorando, 'um cenário pouco favorável para os resultados corporativos daqui para frente'.

Na ata do Copom, divulgada no início da manhã desta terça, o Banco ​Central fez alertas sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos, o que demandaria 'reação firme' da política monetária, demonstrando também preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

Pouco depois, o IBGE informou que o IPCA teve variação positiva de 0,07% em julho, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,03%. Em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 4,44%, ficando abaixo do teto da meta.

Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o ​desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,04%, a 99,810, com investidores cautelosos em meio ‌à expectativa de dado de inflação ao ⁠consumidor dos EUA para julho que será divulgado na quarta-feira.

Operadores também seguiam monitorando as cotações do petróleo, que subiram nesta terça à medida que dúvidas sobre um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e ⁠o Irã alimentavam preocupações de que interrupções no fornecimento de petróleo do ⁠Oriente Médio pudessem persistir.

No fim da manhã, sem efeito ⁠nas cotações, o Banco ⁠Central ​vendeu todos os 50.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados para rolagem de vencimento.

(Por Isabel Versiani; edição de Alexandre Caverni)

Reuters

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