Dólar sobe na esteira de aversão global ao risco com escalada das tensões no Oriente Médio
Dólar sobe na esteira de aversão global ao risco com escalada das tensões no Oriente Médio
Reuters
13/06/2025
Atualizada em 13/06/2025
Por Fernando Cardoso
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista subia ante o real nesta sexta-feira, na esteira dos fortes ganhos da divisa norte-americana no exterior, conforme os investidores fugiam de ativos arriscados após ataque de Israel a instalações nucleares e de mísseis do Irã elevar as tensões no Oriente Médio.
Às 9h38, o dólar à vista subia 0,55%, a R$5,5743 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,44%, a R$5,581 na venda.
Israel lançou ataques em larga escala contra o Irã na noite de quinta-feira (horário de Brasília), dizendo que tinha como alvo instalações nucleares, fábricas de mísseis balísticos e comandantes militares no início de uma operação prolongada para impedir que Teerã construa uma arma atômica.
O Irã prometeu uma resposta dura e Israel disse que precisou interceptar cerca de 100 drones lançados em direção ao território israelense em retaliação.
O ataque ocorreu em meio a esforços dos Estados Unidos de negociar um acordo com o Irã sobre o programa nuclear iraniano e dias antes de uma sexta rodada de negociações entre os dois países. Até o momento, as discussões não têm tido resultados positivos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Irã nesta sexta que faça um acordo, dizendo que ainda há tempo para o país evitar mais conflito com Israel.
'Já houve grande morte e destruição, mas ainda há tempo para que esse massacre, com os próximos ataques já planejados sendo ainda mais brutais, chegue ao fim', disse Trump em publicação no Truth Social.
A escalada das tensões na região levantava tanto a perspectiva de uma guerra total como de envolvimento dos EUA no conflito, o que provocava a fuga de ativos de risco nesta sessão, com perdas em ações e moedas mais arriscadas.
'Essa sexta-feira promete ser uma sessão de forte aversão a ativos mais arriscados em face do ataque de Israel ao Irã... Deve prevalecer a busca por moedas ditas como portos seguros', disse Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,72%, a 98,379.
Antes das atenções se voltarem para o Oriente Médio, a semana vinha sendo marcada pela repercussão das negociações comerciais entre autoridades de EUA e China em Londres, onde firmaram um acordo para retomar uma trégua tarifária alcançada no mês passado.
Os investidores ainda aguardam mais detalhes sobre o acordo para avaliar o resultado final. As primeiras informações impunham cautela, uma vez que os países deixaram de fora uma discussão sobre o controle de remessas de chips dos EUA para a China, o que pode afetar a relação bilateral no futuro.
Na cena doméstica, as atenções seguem voltadas para o impasse em relação às tentativas do governo de elevar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que têm gerado reações negativas entre parlamentares e no mercado.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, disse que a Casa decidiu pautar a urgência de um decreto para sustar a nova proposta do governo anunciada na quarta-feira, quando o Executivo também editou uma medida provisória para compensar as perdas de arrecadação com os recuos na alta do IOF.
Na frente de dados, o setor de serviços no Brasil registrou avanço pelo terceiro mês seguido em abril, iniciando o primeiro semestre sob o impulso do setor de transportes, mesmo em meio à expectativa de desaceleração da economia diante de uma política monetária contracionista.
Na quinta-feira, o dólar à vista fechou em leve alta de 0,08%, a R$5,5437.
Reuters

