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Dólar sustenta leves ganhos no Brasil em dia de correção e leilão do BC

Dólar sustenta leves ganhos no Brasil em dia de correção e leilão do BC

Reuters

06/05/2026

Placeholder - loading - Notas de real brasileiro e de dólar americano, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli
Notas de real brasileiro e de dólar americano, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 6 Mai (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira com leve ​viés positivo ante o real, em um dia de correção após forte queda na véspera e de leilão de swap cambial reverso do Banco Central.

O sinal positivo do dólar no Brasil contrastou com o exterior, onde a moeda norte-americana cedeu ante quase todas as demais divisas, em meio à expectativa de que Irã e EUA possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,17%, aos R$4,9207. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,35% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,19% na B3, aos R$4,9505.

Após abrir a sessão em baixa, acompanhando o viés negativo no exterior, o dólar passou a exibir leves ganhos ante o real nesta quarta-feira, após o BC ter vendido em leilão 10.000 contratos de swap cambial reverso, no valor de US$500 milhões.

A operação com swaps reversos, realizada pelo BC às 9h20, tem o efeito equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Na ⁠prática, isso representa um impulso ⁠de alta para o dólar no mercado futuro -- que, por ser ​o mais líquido, ‌tende a puxar as cotações também no mercado à vista.

Ao contrário do que fez em outras ocasiões, o BC não promoveu nesta quarta-feira, juntamente com o leilão de swap reverso, um leilão de venda à vista de dólares -- operações simultâneas conhecidas no mercado como 'casadão'.

Ao atuar apenas por meio do swap reverso, o BC facilita que investidores atualmente comprados no mercado futuro -- ou seja, posicionados para a alta das cotações do dólar -- reduzam essas posições.

Para o diretor da ⁠assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, a atuação do BC com swap reverso permite a redução de posições compradas em dólar no ​mercado futuro em um momento em que o cenário externo aponta para uma moeda norte-americana mais fraca. Em outros momentos, quando a pressão para as cotações ​era de alta, o BC promoveu vendas de swaps tradicionais -- operações equivalentes à venda de ‌dólares no mercado futuro.

'O BC atua pontualmente ​para ajudar ⁠na liquidez, faz isso para os dois lados', comentou Bergallo. 'Me parece que segue uma posição autônoma em relação a não buscar definir qual a cotação de equilíbrio, já que ela não existe. (A atuação) é apenas para corrigir movimentos muito agudos', acrescentou.

O noticiário sobre a guerra justificou os movimentos agudos. Após o início do conflito, no fim de fevereiro, o ​dólar saiu da faixa dos R$5,13 para um pico de R$5,31 em 13 de março, no auge das preocupações do mercado, para depois se reaproximar dos R$4,90 na sessão desta quarta-feira, em meio à expectativa de um acordo de paz.

Desde 8 de novembro de 2016 o BC não realizava uma operação semelhante à desta quarta-feira -- ou seja, de venda de swap cambial reverso, sem negociação simultânea de dólar à vista.

A diminuição de posições compradas em dólar no mercado futuro pode fazer sentido para muitos investidores justamente ​por conta da melhora do cenário geopolítico no Oriente Médio. No início do dia, uma fonte paquistanesa familiarizada com as conversas diplomáticas afirmou que Irã e EUA estão perto de um acordo sobre um memorando de uma página para encerrar o conflito no Golfo Pérsico.

A informação surgiu após o site Axios ter noticiado que a Casa Branca acredita estar perto de um memorando para encerrar a guerra com o Irã, depois que o presidente norte-americano Donald Trump suspendeu uma missão naval de três dias para reabrir o Estreito de Ormuz.

Durante a tarde, Trump reforçou a expectativa de um acordo. 'Estamos indo muito bem no Irã. Está tudo indo muito bem, e veremos o que acontece. Eles querem fazer um acordo, querem negociar', disse Trump em um evento na Casa Branca. A jornalistas, Trump disse ainda que é muito possível que Washington e ​Teerã fechem um acordo.

A esperança de um acordo conduziu a queda do dólar ante quase todas as demais divisas globais, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso ‌chileno e o peso mexicano.

O Brasil foi uma exceção, com o ⁠dólar em leve alta ante o real durante a maior parte do dia, na esteira do leilão do BC. Profissionais do mercado também pontuaram que, após o forte recuo da véspera, para o menor valor desde janeiro de 2024, era de se esperar algum ajuste de alta nas cotações do dólar ante o real.

No fim ⁠da manhã, o BC realizou outro leilão, mas sem efeito sobre as cotações, no qual vendeu 50.000 contratos ⁠de swap cambial tradicional, para rolagem do vencimento de 1º de junho.

À tarde, ⁠o BC informou que o Brasil ⁠registrou ​fluxo cambial total positivo de US$9,291 bilhões em abril, revertendo o forte fluxo negativo de US$6,350 bilhões contabilizado em março, primeiro mês da guerra no Oriente Médio.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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