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ESTUDO ENCONTRA PISTA PARA PROTEGER O INTESTINO DURANTE O USO DE ANTIBIÓTICOS

Pesquisa mostra como a alimentação pode influenciar a recuperação das bactérias intestinais e abre caminho para novas estratégias de proteção

Bruna Valle

22/10/2026

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Pesquisa identifica uma possível estratégia para reduzir alterações no intestino durante tratamentos com antibióticos

Os antibióticos são fundamentais para combater infecções, mas também podem alterar o conjunto de bactérias que vive no intestino. Um novo estudo publicado na Nature encontrou uma pista de como esse impacto pode ser reduzido no futuro: observar a alimentação durante o tratamento.

A pesquisa acompanhou pacientes submetidos a transplante de células-tronco e identificou uma relação entre o consumo de alimentos ricos em açúcares simples, o uso de antibióticos e mudanças na composição da microbiota intestinal. O resultado pode ajudar a desenvolver estratégias capazes de preservar melhor esse ecossistema durante tratamentos intensivos.

Uma oportunidade para proteger o intestino

Os pesquisadores analisaram 9.419 refeições de 173 pacientes internados para transplante de células-tronco hematopoéticas. Amostras de fezes coletadas ao longo do tratamento permitiram acompanhar as mudanças na comunidade de bactérias do intestino.

A análise mostrou que, durante o uso de antibióticos de amplo espectro, uma maior ingestão de doces e açúcares esteve associada a uma redução mais acentuada da diversidade bacteriana.

Essa informação é importante porque a diversidade ajuda a manter o equilíbrio do ecossistema intestinal. Quando diferentes grupos de bactérias diminuem, alguns microrganismos podem encontrar mais espaço para crescer.

Uma bactéria ganhou destaque

Um dos principais achados envolveu bactérias do gênero Enterococcus. Durante a alteração provocada pelos antibióticos, esses microrganismos aumentaram, e o consumo de açúcar esteve associado a uma expansão ainda maior.

Nos dados dos pacientes, cada aumento de 100 gramas no consumo de doces durante a exposição a antibióticos esteve associado a uma redução adicional estimada de 24,1% na diversidade bacteriana.

Os pesquisadores então fizeram outro teste para verificar se a relação observada nos pacientes também poderia aparecer em um modelo experimental.

O resultado se repetiu nos animais

Em camundongos que receberam antibióticos, a adição de sacarose à alimentação aumentou e prolongou a expansão de Enterococcus. No terceiro dia, a quantidade dessas bactérias foi 16,3 vezes maior no grupo que recebeu sacarose junto com o antibiótico. No sexto dia, a diferença chegou a 33,4 vezes.

O açúcar isoladamente, sem o antibiótico, não provocou o mesmo aumento. Isso reforça a hipótese de que existe uma interação entre os dois fatores.

Para os pesquisadores, esse resultado abre uma possibilidade prática de investigação: testar se mudanças temporárias na alimentação durante determinados tratamentos conseguem reduzir a intensidade da alteração da microbiota.

Próximo passo é descobrir se dá para preservar a microbiota

A pesquisa não propõe simplesmente retirar açúcar da alimentação de todas as pessoas que usam antibióticos. O grupo estudado tinha uma condição médica bastante específica e passava por um tratamento intensivo, o que limita a aplicação direta dos resultados à população em geral.

O próprio estudo aponta a necessidade de pesquisas futuras, com outros grupos de pacientes, para avaliar se uma intervenção alimentar realmente consegue preservar a microbiota e melhorar resultados de saúde.

Ainda assim, a descoberta acrescenta uma peça importante ao estudo do intestino: a alimentação pode ser um fator modificável durante períodos em que medicamentos provocam grandes mudanças nas bactérias intestinais.

No futuro, isso pode permitir que médicos e pesquisadores não pensem apenas em como combater uma infecção, mas também em maneiras de reduzir os efeitos indiretos do tratamento sobre o equilíbrio do organismo.

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