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EUA adiam inclusão de chinesa DeepSeek em lista de restrição comercial, dizem fontes

EUA adiam inclusão de chinesa DeepSeek em lista de restrição comercial, dizem fontes

Reuters

17/06/2026

Placeholder - loading - Placa da DeepSeek AI é vista em prédio onde fica o escritório da startup chinesa, em Pequim, China 19 de fevereiro de 2025 REUTERS/Florence Lo
Placa da DeepSeek AI é vista em prédio onde fica o escritório da startup chinesa, em Pequim, China 19 de fevereiro de 2025 REUTERS/Florence Lo

Por Karen Freifeld

16 Jun (Reuters) - Os Estados Unidos adiaram a inclusão da startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek, ​da fabricante de chips de memória CXMT e de mais de 100 outras empresas qualificadas como riscos à segurança nacional em uma lista de restrição comercial, segundo duas pessoas a par do assunto.

O adiamento ocorre em um momento em que o governo do presidente Donald Trump tenta evitar o agravamento das tensões com Pequim.

Um comitê interagências no ano passado aprovou a inclusão da DeepSeek, da CXMT e de outras empresas na Lista de Entidades do Departamento de Comércio, o que está sendo divulgado pela primeira vez. A Reuters também está divulgando com exclusividade o grande número de empresas que aguardam a publicação na lista.

A DeepSeek, cujo modelo de IA de baixo custo causou comoção no mundo da tecnologia em janeiro de 2025, tem apoiado as operações militares e de inteligência da China, disse uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado dos EUA à Reuters no ano passado. Ela acrescentou que a startup tentou usar empresas de fachada do Sudeste Asiático para acessar ilegalmente chips avançados dos EUA.

Este ano, a Anthropic afirmou ter identificado uma campanha da DeepSeek e de dois outros laboratórios chineses de IA para extrair ilegalmente recursos de sua plataforma de IA Claude, a fim de aprimorar seus próprios modelos. Além disso, a OpenAI alertou os parlamentares ⁠de que a DeepSeek estava visando seus ⁠modelos.

Já a ChangXin Memory Technologies, principal fabricante chinesa de chips de memória, foi ​designada como empresa ‌militar pelo Departamento de Defesa do governo Biden. O Departamento de Comércio considerou incluí-la em sua Lista de Entidades há mais de um ano, segundo reportagens da Reuters e de outros veículos.

Empresas norte-americanas não podem enviar mercadorias, software e tecnologia para empresas que constam na lista sem que obtenham uma licença, que provavelmente será negada.

A DeepSeek e a CXMT não puderam ser contatadas para comentar fora do horário comercial normal. O Departamento de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio, que supervisiona a lista, não respondeu diretamente às perguntas sobre por que as atualizações da Lista de ⁠Entidades não haviam sido publicadas desde o ano passado, nem comentou sobre a DeepSeek e a CXMT.

Quando solicitado a comentar, o Ministério das Relações Exteriores ​da China afirmou que os EUA deveriam cessar de “politizar, instrumentalizar e usar como arma” questões econômicas, comerciais e tecnológicas.

A China tem se oposto consistentemente à interpretação ampla dos EUA sobre o ​conceito de segurança nacional e ao abuso de medidas de controle de exportação, como a Lista de Entidades, para conter ‌e reprimir empresas chinesas”, disse o porta-voz Lin ​Jian em ⁠uma coletiva de imprensa regular nesta quarta-feira.

RIVALIDADE

Os Estados Unidos e a China estão envolvidos em uma rivalidade tensa em torno de tecnologia, comércio e segurança nacional, com Washington utilizando tarifas e controles de exportação, enquanto Pequim mantém um domínio absoluto sobre os minerais de terras raras de que as empresas dos setores de defesa, automotivo e de fabricação de chips precisam.

Os EUA não publicaram nenhuma adição à sua Lista de Entidades desde outubro, ​o maior intervalo entre novas publicações em mais de uma década, disse Philip Luck, que estuda cadeias de suprimentos globais no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington.

“A Lista de Entidades é como o jogo ‘bate na toupeira’: você precisa continuar batendo nas toupeiras”, disse Luck, referindo-se a um jogo de fliperama.

A ausência de novas inclusões provavelmente está permitindo que a tecnologia norte-americana chegue a adversários que poderiam usá-la contra os EUA, acrescentou.

“O fato de os EUA não terem incluído nenhuma empresa na Lista de Entidades desde outubro demonstra que a política comercial está ofuscando o uso de uma ferramenta crítica de segurança nacional”, ​disse Kevin Kurland, ex-funcionário do Departamento de Comércio.

Havia a previsão de inclusão na lista de várias empresas chinesas ligadas a drones operados pela Rússia, recuperados na Polônia em setembro passado, disse uma das fontes. Incluir essas empresas menos conhecidas é ainda mais importante para os fornecedores norte-americanos, que talvez não conheçam a natureza de seus negócios, acrescentou.

Dezenas de outras empresas chinesas foram identificadas no ano passado como riscos à segurança nacional por venderem chips restritos da Nvidia para universidades chinesas, mas elas não foram adicionadas à lista, disse uma terceira fonte.

Empresas chinesas que fabricam e vendem drones e cães robóticos para as forças armadas do país também foram selecionadas como alvos em potencial, segundo a terceira fonte.

Desde o fim de 2025, Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança, tem procurado evitar a inclusão de entidades chinesas na lista por temer o agravamento das tensões entre os dois países, segundo a primeira fonte e outras pessoas a par do assunto.

A escassez de inclusões na lista oferece uma visão do que muitos consideram ser ​um problema maior no Departamento de Indústria e Segurança durante o segundo mandato de Trump: a incapacidade de agir ou emitir novas regras para combater ameaças que poderiam ser reduzidas por meio da restrição de exportações.

No início ‌do ano passado, por exemplo, o departamento afirmou que substituiria uma regulamentação criada durante ⁠o governo do ex-presidente Joe Biden para regulamentar o acesso global a chips de IA de origem norte-americana. No entanto, o departamento ainda não publicou uma regulamentação substituta e não está aplicando a regra anterior, abrindo uma brecha que pode ter permitido a exportação dos chips para empresas chinesas fora da China.

As decisões sobre a inclusão de uma entidade na lista são tomadas por um comitê interagências, que ⁠inclui autoridades dos departamentos de Comércio, Defesa, Energia, Relações Exteriores e, às vezes, do Tesouro. Mas as duas primeiras fontes afirmaram que ⁠o comitê aprovou empresas que ainda não tiveram seus nomes publicados na lista pelo Departamento de Comércio.

Pelo ⁠menos 75 empresas chinesas nas áreas de ⁠produção ​avançada de semicondutores, fabricação de equipamentos para semicondutores e modelagem de IA foram avaliadas no comitê e tinham a previsão de inclusão na lista, disse uma das fontes.

(Reportagem de Karen Freifeld; reportagem adicional da redação de Pequim)

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