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EUA atacam Irã de norte a sul após ameaças de Trump sobre navegação no Mar Vermelho

EUA atacam Irã de norte a sul após ameaças de Trump sobre navegação no Mar Vermelho

Reuters

24/07/2026

Placeholder - loading - Barco é alvo de um ataque, em localização desconhecida, durante o que o Comando Central dos EUA descreve como ataques a alvos militares iranianos 23 de julho de 2026 Comando Central dos EUA/Divulgação
Barco é alvo de um ataque, em localização desconhecida, durante o que o Comando Central dos EUA descreve como ataques a alvos militares iranianos 23 de julho de 2026 Comando Central dos EUA/Divulgação

Por Eman Abouhassira e Yasmine Ghania e Ahmed Elimam

DUBAI, 24 ​Jul (Reuters) - Mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em todo o Irã, chegando até a costa do Mar Cáspio, nesta sexta-feira, depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu uma “punição militar severa” a Teerã e seus aliados houthis no Iêmen por estenderem a guerra no Oriente Médio a um segundo importante ponto de estrangulamento marítimo: a foz do Mar Vermelho.

Duas semanas após o colapso de uma trégua provisória destinada a pôr fim à guerra, as Forças Armadas iranianas responderam atacando bases norte-americanas em países árabes vizinhos e alertando a população local de que poderiam atingir edifícios não militares utilizados por pessoal norte-americano. O Exército iraniano afirmou que as ameaças de Trump apenas reforçaram sua determinação.

Os houthis, que controlam o norte e o ⁠oeste do Iêmen, ⁠anunciaram esta semana a imposição de um bloqueio ​naval à ‌Arábia Saudita, país que tem desviado milhões de barris de petróleo por dia por meio de um oleoduto para o Mar Vermelho a fim de contornar o bloqueio quase total imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz. O estreito é o epicentro de uma guerra que já matou milhares de pessoas em quase cinco ⁠meses, alimentou a inflação global e avivou os temores de uma recessão econômica.

Os combatentes houthis atacaram ​dois petroleiros sauditas na quinta-feira no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, elevando os preços do petróleo ​em 7% e ultrapassando a marca de US$100 por barril pela ‌primeira vez desde maio. Embora ​os futuros ⁠do Brent tenham recuado quase 3%, para menos de US$98 nesta sexta-feira, o contrato continuava a caminho de um avanço de mais de 10% nesta semana.

Os ataques forçaram vários outros petroleiros a dar meia-volta e seguir para o norte pelo Canal de ​Suez, possivelmente utilizando uma rota muito mais longa e cara para chegar aos clientes asiáticos, contornando a África.

Os custos de seguro de transporte marítimo pela parte sul do Mar Vermelho dobraram para algumas empresas na quinta-feira, segundo fontes.

Ainda assim, metade dos 18 navios que saíram de Bab el-Mandeb na quinta-feira transportava petróleo bruto, incluindo dois superpetroleiros chineses. O número de ​petroleiros que cruzaram o Estreito de Ormuz caiu para apenas um na quinta-feira, o menor desde 7 de maio.

Trump escreveu nas redes sociais que responsabilizaria o Irã por quaisquer novos ataques dos houthis, “e uma punição militar severa será infligida ao Irã e, é claro, aos próprios houthis”.

Ele disse à Axios que está considerando retomar grandes operações de combate no Irã e que está prestes a tomar uma decisão.

“Eles ainda não sofreram o suficiente”, disse Trump, segundo a agência de notícias norte-americana.

Trump também disse nas redes sociais que qualquer dano a navios de carga seria pago com dinheiro iraniano, referindo-se aos ​ativos iranianos congelados mantidos pelos Estados Unidos, mas sem especificar como.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, respondeu com ‌uma advertência no X, dizendo que os ativos ⁠de ninguém estariam a salvo uma vez que os governos normalizassem tal confisco. “O caos que se seguirá não será nada agradável nem pacífico.”

A mídia estatal iraniana informou que mísseis atingiram a Ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz.

Em ⁠um exemplo de como as interrupções no transporte marítimo causadas pela guerra afetam ⁠outras nações, a Coca-Cola aumentou os preços da Diet ⁠Coke na Índia — que é ⁠vendida ​predominantemente em latas de alumínio — em mais de 10%, à medida que o conflito sufoca sua cadeia de suprimentos, segundo fontes.

Reuters

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