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EXCLUSIVO-Candidatos nos EUA adaptam mensagens aos modelos de IA utilizados pelos eleitores

EXCLUSIVO-Candidatos nos EUA adaptam mensagens aos modelos de IA utilizados pelos eleitores

Reuters

26/10/2026

Placeholder - loading - Pessoa caminha em frente a uma seção eleitoral em Nova Jersey    24 de outubro de 2026    REUTERS/Eduardo Munoz
Pessoa caminha em frente a uma seção eleitoral em Nova Jersey 24 de outubro de 2026 REUTERS/Eduardo Munoz

Por Mike Stone

WASHINGTON, 26 Out (Reuters) - Candidatos políticos dos EUA vêm elaborando suas ​mensagens de campanha para atrair os chatbots de IA que cada vez mais eleitores têm usado para esclarecer dúvidas sobre questões políticas, e documentos analisados pela Reuters revelaram algumas dessas estratégias.

Uma apresentação em PowerPoint propôs uma estratégia para Mike Minogue, candidato republicano que disputa o cargo de governador de Massachusetts contra Maura Healey. O objetivo era convencer ChatGPT, Claude, Gemini e outros chatbots a apresentá-lo como a escolha preferida em questões-chave, indo muito além da otimização tradicional para mecanismos de busca que os candidatos vêm utilizando há anos.

À medida que a IA se torna cada vez mais uma fonte de notícias, as campanhas políticas precisam envidar maiores esforços para controlar o que ela produz e tornar-se sua recomendação quando os eleitores fazem perguntas como: quem é o melhor em questões como impostos, moradia e segurança pública. Alguns especialistas se preocupam com a verificação de fatos ⁠e a desinformação nas ⁠campanhas que utilizam IA.

Os custos podem variar de centenas de ​dólares por ‌mês para pequenos trabalhos de monitoramento de IA a dezenas de milhares por mês, caso sejam incluídos serviços de consultoria e compra de espaço na mídia.

A apresentação propôs que a campanha de Minogue criasse centenas de páginas de políticas e citações otimizadas para IA nos sites frequentemente citados por chatbots de IA. Citou maneiras de acompanhar como os principais chatbots respondem a perguntas políticas e alterar ⁠sistematicamente o conteúdo até que as respostas reflitam a plataforma do candidato.

No centro da proposta estava a ideia ​de que, além de persuadir diretamente os eleitores, as campanhas podem, cada vez mais, moldar o ambiente de informação ao alimentar a ​internet e os assistentes de IA com dados que influenciam a forma como ‌os candidatos são descritos, comparados e ​recomendados.

“Campanhas que ⁠utilizam treinamento de influência por IA são agora uma realidade com a qual nos deparamos e serão onipresentes até o ciclo eleitoral de 2028”, que incluirá uma eleição presidencial, disse Joe Bonilla, sócio-gerente da Relentless Awareness. A empresa de estratégia criativa sediada em Nova York já trabalhou com empresas e ​candidatos políticos nos níveis federal, estadual e local.

“O público está cada vez menos capaz de distinguir — e não será capaz de discernir — o que é criado por sistemas como o Claude e o ChatGPT do que é conteúdo de origem humana”, disse Bonilla.

A apresentação em PowerPoint preparada para a campanha de Minogue e vista pela Reuters descreve a otimização de mecanismos generativos, ou GEO, a sucessora da otimização de mecanismos de busca (SEO) ​na era da IA. Ela afirma que a empresa compraria espaços publicitários em sites de alta autoridade que os modelos de IA já citam. Também produziria conteúdo para o YouTube e o Reddit e publicaria páginas temáticas criadas para serem captadas por chatbots.

“Quando a campanha estiver pronta, veicularemos anúncios pagos em sites de alta autoridade de domínio que os LLMs (grandes modelos de linguagem) já citam — além do Reddit, que tem peso desproporcional na recuperação de resultados”, diz a apresentação.

ELETORES PERGUNTAM A CHATBOTS

Com o aumento das informações eleitorais online, cerca de 25% dos eleitores qualificados consultaram um chatbot sobre um candidato político ao decidir em quem votar, segundo Cameron Hickey, presidente-executivo da National Conference on Citizenship.

“Se você não divulgar as informações ​corretas, quem sabe o que os mecanismos de IA vão pegar”, disse Thomas Howell, presidente-executivo da Visigent, empresa sediada em Austin, Texas, que elaborou o documento ‌estratégico para Minogue. A Visigent tem seis campanhas políticas entre ⁠seus clientes, mas Howell não quis identificar seus clientes.

A campanha de Minogue não respondeu às ligações e emails solicitando comentários.

As campanhas agora precisam competir para se tornarem “a recomendação dentro da resposta da IA”, de acordo com a apresentação preparada para Minogue.

“Estamos apenas no início dessa nova ⁠era”, afirmou Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, que acompanha o uso da IA pelos eleitores. “Este ⁠ano, o foco tem sido os candidatos garantirem que seus próprios ⁠sites apareçam nos resultados dos chatbots”, ⁠disse. ​Mas ela alertou: “Os chatbots falam com muita autoridade e podem consumir grandes quantidades de informações não verificadas; por isso, precisamos nos proteger contra a desinformação.”

Reuters

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