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Falha no transporte de fertilizantes por Ormuz pode gerar crise alimentar, diz ONU

Falha no transporte de fertilizantes por Ormuz pode gerar crise alimentar, diz ONU

Reuters

14/10/2026

Placeholder - loading - Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã 12 de outubro de 2026 REUTERS/Stringer
Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã 12 de outubro de 2026 REUTERS/Stringer

Por Panu Wongcha-um e Devjyot Ghoshal

BANGUCOQUE, 14 Out (Reuters) - A falha dos Estados ​Unidos e do Irã em chegar a um acordo, em poucas semanas, sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz poderia causar uma crise de segurança alimentar em algumas regiões da Ásia e da África, afirmou nesta quarta-feira uma autoridade responsável pela supervisão do esquema proposto.

As Nações Unidas criaram uma força-tarefa em março para facilitar a passagem de fertilizantes pelo estreito. O mecanismo elaborado ainda não foi implementado, mas o subsecretário-geral das Nações Unidas, Jorge Moreira da Silva, disse que ele poderia ser ativado dentro de 7 a 10 dias após um acordo entre Washington e Teerã.

“É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio”, disse ele em entrevista em Bangcoc, à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e a ⁠Embaixada do Irã em ⁠Bangcoc não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

O ​Irã tem buscado ‌reforçar seu controle sobre o Estreito de Ormuz desde os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, utilizando esse ponto estratégico para pressionar Washington, que vem mantendo seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos.

Antes da guerra, a via navegável movimentava cerca de um terço da ureia comercializada globalmente -- o fertilizante mais utilizado no mundo -- e quase metade do enxofre transportado por via marítima, um ⁠insumo essencial. É também um importante canal para o abastecimento global de petróleo.

Os embarques de fertilizantes da região ​do Golfo permaneceram praticamente paralisados mais de seis meses após o início do conflito, informou o Instituto Internacional de Pesquisa em Política ​Alimentar, com sede em Washington, em uma nota no mês passado.

Os fertilizantes representaram uma ‌parcela “muito insignificante” da retomada de alguns ​embarques durante ⁠um cessar-fogo entre meados de junho e meados de julho, afirmou o instituto.

CINCO EMBARCAÇÕES POR DIA

Se a interrupção no Estreito de Ormuz continuar, os preços das commodities poderão subir até 81% para os cereais, 66% para as culturas oleaginosas e 30% para os produtos de origem animal, de acordo com um ​relatório de agosto da Câmara de Comércio Internacional.

“Se perdermos essa época de plantio, a produtividade da agricultura cairá significativamente e o impacto sobre os preços aumentará consideravelmente”, disse Moreira da Silva.

A operação proposta utilizaria um centro de coordenação em Omã para registrar os navios e coordenar a passagem segura, com monitores da ONU trabalhando em conjunto com as autoridades locais nos portos do Golfo para verificar o carregamento da carga.

A passagem de apenas ​cinco navios por dia pelo Estreito de Ormuz poderia manter o fluxo de fertilizantes para países em situação de necessidade crítica, disse Moreira da Silva.

Os navios seriam rastreados durante o trânsito, e inspeções adicionais poderiam ser realizadas caso os países levantassem preocupações sobre um navio ou sua carga, acrescentou.

ESFORÇOS PARALISADOS

O Irã e os Estados Unidos têm trocado propostas por meio de intermediários desde que um cessar-fogo provisório, firmado em junho, fracassou. No entanto, os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz estão paralisados devido às condições impostas por Teerã e à insistência de Washington em abordar o programa nuclear iraniano desde o início.

O mecanismo proposto pela ONU poderia operar paralelamente às negociações sobre um acordo abrangente que vise garantir a paz duradoura ​e a liberdade de navegação, disse Moreira da Silva.

“O que estamos dizendo a eles é: enquanto vocês continuam suas discussões rumo a um acordo abrangente, deixem-nos ‌trabalhar, deixem-nos fazer nosso trabalho”, disse ele, recusando-se a especificar ⁠os pontos de impasse exatos para um acordo, já que as discussões continuam com ambos os lados.

Além da crise de Ormuz, a deterioração da situação na região do Mar Negro, onde navios de carga têm sido alvo de ataques, e uma ofensiva de militantes houthis apoiados pelo ⁠Irã ao longo de uma importante rota marítima no Mar Vermelho estão agravando a ameaça ⁠à segurança alimentar global.

“O que estamos testemunhando agora é uma concentração de ⁠fatores”, disse Moreira da Silva. “A ⁠crise ​climática, a interrupção simultânea de pontos de estrangulamento marítimos no Mar Negro, no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz.”

(Reportagem de Panu Wongcha-um e Devjyot Ghoshal)

Reuters

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