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Fifa pede desculpas a membros enquanto Infantino realiza reunião de emergência

Fifa pede desculpas a membros enquanto Infantino realiza reunião de emergência

Reuters

05/08/2026

Placeholder - loading - Presidente da Fifa, Gianni Infantino 12/02/2026 REUTERS/Benoit Tessier/Foto de arquivo
Presidente da Fifa, Gianni Infantino 12/02/2026 REUTERS/Benoit Tessier/Foto de arquivo

Atualizada em  05/08/2026

Por Rohith Nair

5 Ago (Reuters) - A Fifa informou nesta quarta-feira que havia pedido desculpas às suas federações-membro ​pelos erros cometidos em relação à proposta, posteriormente abandonada, de vender os direitos comerciais ligados à Copa do Mundo, enquanto a liderança do órgão reafirmou seu apoio ao presidente Gianni Infantino após uma reunião de emergência no Marrocos.

Após a reunião em Rabat, da qual participaram Infantino, o secretário-geral Mattias Grafstrom e membros do conselho de administração da Fifa, a liderança do órgão reafirmou seu total apoio ao presidente, ao mesmo tempo em que reconheceu que deveria ter sido diferente a forma como a proposta “Fifa Forward Enterprise” — que foi retirada — foi conduzida.

Em comunicado, a Fifa informou que uma carta separada foi enviada aos membros do Conselho da Fifa e às 211 federações-membro, pedindo desculpas pelos erros e prometendo uma revisão.

Acrescentou que, com a retirada da proposta, a Fifa “não toleraria mais quaisquer ataques à sua integridade, boa governança e devido processo” e tomaria todas as medidas necessárias para proteger sua reputação.

Veículos que se acredita que transportavam Infantino e Grafstrom foram vistos saindo do escritório da Fifa na África, em Sale, após a reunião, que ocorreu em meio a críticas crescentes à liderança de Infantino antes da eleição presidencial do ano que vem no órgão regulador.

A reunião ocorreu após a retirada, na semana passada, de uma proposta para vender uma participação ⁠de 20% em uma nova entidade de ⁠direitos comerciais a investidores privados, em um negócio que teria arrecadado cerca ​de US$4,2 bilhões para ‌o desenvolvimento do futebol.

A proposta, que também foi alvo de escrutínio devido ao envolvimento de uma empresa com laços familiares com o presidente dos EUA, Donald Trump, gerou críticas ferrenhas da Uefa, órgão que rege o futebol europeu, e de outras partes interessadas, que acusaram a Fifa de má governança e falta de consulta.

O pedido de desculpas ressaltou o reconhecimento da Fifa de que erros foram cometidos na condução da sua proposta para um novo órgão de direitos comerciais, a qual se tornou o desafio mais sério à sua liderança desde que ele se ⁠tornou presidente da Fifa em 2016, tendo desencadeado uma enxurrada de críticas da Uefa, de várias federações-membro e de altos dirigentes da Fifa sobre governança ​e consulta.

Sua retratação na última sexta-feira pouco contribuiu para acalmar esses críticos, principalmente a Uefa, que o acusou de vender a alma do esporte e afirmou não ter mais confiança em ​sua liderança.

Isso lançou uma sombra sobre a reeleição de Infantino para um quarto mandato no Congresso da Fifa no ‌Marrocos em março, que parecia um resultado certo ​há dois ⁠meses.

Algumas federações europeias retiraram seu apoio ao suíço-italiano, mas talvez mais prejudiciais sejam as mensagens vindas dos pares de Infantino na Fifa.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também questionou a liderança de Infantino nesta quarta-feira, afirmando que perdeu a confiança no presidente da Fifa ao saber que assessores seniores não haviam sido consultados sobre a proposta abandonada.

“Não tenho confiança no sr. Infantino”, disse Carney aos repórteres, acrescentando que deixar de informar os ​executivos seniores e os demais membros do conselho sobre uma proposta tão significativa “deveria ser fatal” para qualquer líder.

Grafstrom enviou um memorando interno ao staff da Fifa lamentando a “série de eventos tristes e repreensíveis” que levou o projeto a ser “abandonado definitivamente”, segundo informaram duas fontes à Reuters.

“Indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade para com o futebol mundial continuam”, acrescentou o sueco na carta, que não mencionou Infantino pelo nome.

Suas palavras ecoaram as do diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, que disse na semana passada que os funcionários haviam sido “enganados” em relação ao plano, ​que ele descreveu como o projeto de uma única pessoa.

Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino, renunciou em protesto contra o plano na semana passada. Arsène Wenger, chefe de Desenvolvimento Global do Futebol da Fifa, disse que não havia participado da elaboração da proposta e considerou a decisão de retirá-la “absolutamente necessária”.

O ex-craque da seleção portuguesa Luís Figo, que planejava concorrer à presidência da Fifa em 2015 antes de desistir, descreveu o comportamento de Infantino como o “mais baixo, mais enganador e covardemente egoísta” que já havia visto.

“Eu poderia escrever 10 mil palavras sobre os problemas na Fifa. Mas a solução precisa de apenas três: Infantino deve sair”, escreveu Figo em uma coluna no Daily Mail.

A vice-presidente da Uefa, Laura McAllister, afirmou que a liderança de Infantino havia chegado a um ponto crítico.

SOBREVIVER A SETE MESES ATÉ A ELEIÇÃO

Infantino passou a última semana no Marrocos, que será co-sede da Copa do Mundo em 2030 e cuja federação de futebol anunciou seu apoio contínuo a ele.

A reunião foi amplamente vista como um esforço para reforçar ​o apoio a Infantino e garantir que ele saia da crise com apoio suficiente para continuar sendo o favorito à reeleição em março.

Um Congresso Extraordinário poderá ser convocado se 43 ou mais federações-membros da Fifa apresentarem ‌um pedido formal por escrito para tal.

O Catar, que sediou a Copa do Mundo ⁠de 2022, o Kuwait, o Líbano, o Sri Lanka, a Indonésia e as Filipinas declararam sua lealdade a Infantino.

Infantino sempre contou com grande apoio fora dos redutos tradicionais do esporte, onde associações de futebol empobrecidas dependem da generosidade da Fifa para funcionar.

Mas a European Leagues, que representa mais de 1.300 clubes em toda a Europa, afirmou que não se deve permitir que a Fifa “continue tomando decisões ⁠unilaterais e perturbadoras” que afetem clubes, jogadores e torcedores. A entidade também criticou o “prazo de avaliação impraticavelmente curto” de quatro semanas concedido ⁠pela Fifa para analisar o plano de ampliar a Copa do Mundo de 48 para 64 ⁠seleções na edição de 2030.

Importantes dirigentes do ⁠futebol ​africano enviaram mensagens de apoio, enquanto Infantino busca o respaldo dos 54 membros do continente. A Confederação Africana de Futebol (CAF) ainda não se posicionou.

(Reportagem de Rohith Nair, Lori Ewing, Ian Ransom, Tim Hart e Suramya Kaushik; )

Reuters

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