Dois bombeiros gregos morrem enquanto incêndios florestais se alastram para o leste da Europa
Dois bombeiros gregos morrem enquanto incêndios florestais se alastram para o leste da Europa
Reuters
29/07/2026
Atualizada em 29/07/2026
Por Yves Herman e Nacho Doce e Lefteris Papadimas
LE TEMPLE, França/LA VILAVELLA, Espanha/ATENAS, 29 Jul (Reuters) - Dois bombeiros gregos morreram nesta quarta-feira enquanto combatiam um incêndio na ilha de Creta, enquanto os incêndios florestais continuam se alastrando pela Europa, apesar de uma rara trégua na Espanha, onde um grande incêndio se estabilizou.
A emissora pública ERT informou que os dois bombeiros ficaram presos nas chamas enquanto se deslocavam de uma frente de incêndio para outra em seu veículo.
Sifis Vavourakis, presidente da vila de Krya Vrysi, disse à ERT que o incêndio estava fora de controle. O fogo começou no início do dia na região de Rethymno, em Creta, um popular destino turístico. Ele foi alimentado por ventos fortes e se espalhou rapidamente. Moradores de três vilas próximas, incluindo Krya Vrysi, receberam ordens para se retirarem do local.
Na manhã desta quarta-feira, o chefe do centro de resposta a emergências da União Europeia afirmou que a Grécia e a Itália devem enfrentar um risco elevado de incêndios florestais nas próximas semanas.
Continente que mais rapidamente se aquece no mundo, a Europa sofreu ondas de calor recordes neste ano, à medida que as mudanças climáticas causadas pelo homem intensificam o calor e a seca, o que permite que os incêndios florestais se espalhem mais rapidamente.
ESPANHA
Os incêndios forçaram o deslocamento de pessoas em grande escala na Espanha e na França nos últimos dias, devastando florestas e matando animais selvagens.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, alertou para “três dias difíceis” pela frente, com ventos fortes e altas temperaturas, mesmo com a estabilização do grande incêndio na região de Ávila e Madri, o que permitiu às autoridades suspender algumas das ordens de retirada e de permanência em locais seguros.
Enquanto isso, autoridades alertaram para outro incêndio na província de Zamora, no noroeste da Espanha. Elas emitiram uma ordem de retirada para seis cidades e pediram que cerca de 1.000 pessoas permaneçam em locais de abrigo.
A agência meteorológica espanhola AEMET informou que as temperaturas devem atingir 40°C nesta quarta-feira em pelo menos seis regiões, colocadas em alerta laranja, o segundo nível mais alto.
AUMENTO DE TEMPERATURA
Na França, as temperaturas no sudoeste, atingido por incêndios devastadores, devem subir de cerca de 33°C na terça-feira para um pico de 41°C, segundo a Meteo France, enquanto ventos secos à tarde podem alimentar as chamas.
Bombeiros franceses mantiveram estável um grande incêndio a oeste de Bordeaux durante a noite. E perto do aeroporto de Bordeaux, que permaneceu aberto, serviços de bonde foram retomados e hotéis reabriram.
Mas autoridades alertam que os incêndios florestais estão longe de terminar. O município de Lege-Cap-Ferret, no sudoeste, sinalizou vários focos de incêndio na área, acrescentando que os bombeiros conseguiram estabilizá-los.
Em Le Temple, a cerca de 30km de distância, bombeiros com caminhões e mangueiras, apoiados por aeronaves, trabalharam para extinguir um incêndio que reacendeu e incendiou árvores e vegetação.
“Continuamos vigilantes, é claro, hoje, considerando as condições meteorológicas previstas, com um novo aumento nas temperaturas e ventos mais fortes à tarde”, disse o comandante dos bombeiros Matthieu Jomain a jornalistas no início do dia.
CASAS EM RUÍNAS
O impacto nas florestas foi generalizado. O incêndio florestal na região de Landes, a oeste de Bordeaux -- um destino turístico -- devastou 42.000 hectares de pinheiros, principalmente.
As autoridades retiraram cerca de 220.000 pessoas, incluindo turistas e moradores locais, à medida que o incêndio ameaçava a península de Cap Ferret, na costa atlântica, acessível apenas por uma estrada. Cerca de 60.000 pessoas já puderam retornar.
Raphael Fohanno não conseguia acreditar no que havia acontecido com a casa de seus pais na pequena cidade litorânea de Biscarrosse, também atingida pelos incêndios florestais no sudoeste da França.
“É um choque pensar que, apenas uma hora antes, eu estava no meu quarto e tudo mais, e agora não sobrou nada”, disse Fohanno, de 18 anos. Seus pais e sua irmã foram retirados de helicóptero enquanto ele estava fora de casa.
FOGO DESCONTROLADO PELO QUINTO DIA
A partir de quinta-feira, os níveis de perigo no sudoeste da França devem diminuir graças a algumas tempestades, temperaturas mais baixas e aumento da umidade, mas permanecerão elevados no sudeste, informou a Meteo France.
Quatro pessoas foram presas nos últimos dias na região: uma sob suspeita de roubar joias de casas esvaziadas, duas por supostamente roubarem alimentos de um centro de abrigo em Bordeaux e uma por se passar por terapeuta e oferecer sessões pagas aos deslocados, informou a polícia.
Na Espanha, embora a situação tenha melhorado nas províncias centrais de Ávila e Madri, um incêndio no leste de Castellón continuava fora de controle após queimar mais de 10.000 hectares, já que as condições climáticas provocaram vários reacendimentos.
Cerca de 10.000 moradores ainda não podiam retornar às suas casas em Castellón.
Mas, em um momento de esperança, um hospital veterinário que abrigava dezenas de cavalos foi salvo das chamas em La Vilavella, na província, graças aos esforços dos moradores locais.
“Milagres existem. Fomos salvos!”, disse o veterinário Oscar Quemades.
Ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas estão causando milhares de mortes a mais e perturbando cada vez mais a vida cotidiana, desde o congestionamento no transporte rodoviário e ferroviário até o impedimento da navegação fluvial.
Ressaltando a devastação causada ao campo e à vida selvagem, imagens captadas por um drone da Reuters em El Tiemblo, na província espanhola de Ávila, mostraram carcaças carbonizadas de veados em uma floresta reduzida a cinzas.
Uma moradora de Madri, que se identificou como Cintia, ficou horrorizada com a cena em El Tiemblo, lugar que ela costumava visitar com frequência.
“Costumávamos levar comida para os animais”, disse. “E veja como está hoje.”
(Reportagem adicional de Lefteris Papadimas, em Atenas; Leonardo Benassatto, em La Vilavella; Guillermo Martinez, em El Tiemblo; David Latona e Emma Pinedo, em Madri; Inti Landauro, Kate Abnett e Sudip Kar-Gupta, em Bruxelas; Janis Laizans, em Bordeaux)
Reuters

