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Fujimori assume o poder no Peru, ampliando a guinada à direita na América Latina

Fujimori assume o poder no Peru, ampliando a guinada à direita na América Latina

Reuters

28/07/2026

Placeholder - loading - A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, recebe credenciais oficiais, em Lima 15 de julho de 2026 REUTERS/Angela Ponce
A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, recebe credenciais oficiais, em Lima 15 de julho de 2026 REUTERS/Angela Ponce

Atualizada em  28/07/2026

(Corrige segundo parágrafo para acrescentar palavra 'eleita')

Por Marco Aquino e Lucinda ​Elliott

LIMA, 28 Jul (Reuters) - Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru nesta terça-feira, tornando-se a mais recente de uma série de líderes conservadores eleitos em toda a América Latina por eleitores frustrados com a criminalidade, o fraco crescimento econômico e a instabilidade política.

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, de 51 anos, torna-se, assim, a primeira mulher eleita chefe de Estado do Peru.

Sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais de junho marcou o retorno de uma das dinastias políticas mais influentes e polêmicas do país e coroou uma volta à cena política após anos de tentativas frustradas.

Fujimori será a décima presidente do Peru desde 2016, após uma década tumultuada em que nenhum líder chegou a completar o mandato regular de ⁠cinco anos.

Sua eleição ⁠amplia uma tendência mais ampla de guinada à ​direita na América ‌Latina, com uma série de líderes recém-eleitos defendendo laços mais estreitos com os Estados Unidos e políticas mais duras contra o crime.

Fujimori afirmou que há um “espaço muito significativo” para cooperação com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e manifestou interesse em que o Peru venha a aderir ao “Escudo das Américas”, iniciativa ⁠regional proposta por Trump para combater o crime transnacional.

Washington tem feito um dos maiores esforços ​dos últimos anos para aprofundar os laços com o Peru, importante produtor de cobre e minerais essenciais, com ​portos estratégicos no Pacífico, em uma tentativa de conter a influência ‌da China na região.

Fujimori nomeou ​na segunda-feira Elmer ⁠Cuba, ex-membro do conselho do Banco Central, como ministro da Economia, e Carlos Espa, ex-candidato à Presidência que também trabalhou para a Embaixada dos EUA em Lima, como ministro das Relações Exteriores.

“Vamos construir o consenso necessário para transformar decisões em resultados para ​os cidadãos”, disse Fujimori.

CONGRESSO, DESAFIOS ECONÔMICOS

Fujimori derrotou por uma pequena margem o deputado de esquerda Roberto Sánchez em uma das eleições mais acirradas da história moderna do Peru. Sánchez alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e prometeu liderar um bloco de oposição de esquerda no Congresso.

Protestos contra sua candidatura reuniram centenas de ativistas de esquerda e grupos da sociedade ​civil em Lima antes do segundo turno. Estão previstas manifestações para coincidir com a posse nesta terça-feira.

A expectativa é que o partido Força Popular, de Fujimori, detenha o maior bloco minoritário em um Congresso fragmentado, que voltou a ter uma estrutura bicameral pela primeira vez em três décadas.

Na votação para eleger a presidência do Congresso, realizada em 26 de julho, a coalizão vencedora garantiu a presidência do Senado, enquanto a oposição conquistou a liderança da Câmara dos Deputados.

Manter o apoio legislativo pode se revelar um desafio.

“Não haverá muito espaço para um período de lua de mel”, disse o analista ​político peruano e consultor empresarial independente Jeffrey Radzinsky. “Ela precisa conquistar a confiança de um amplo segmento da população que desconfia dela, ‌ao mesmo tempo em que atende às altas ⁠expectativas.”

O Peru tem se mantido como uma das economias mais resilientes da América Latina, apesar de anos de turbulência política, impulsionado em grande parte pelas exportações de cobre. O Banco Central elevou recentemente sua previsão de crescimento para ⁠2026 para 3,4%, citando uma demanda interna e investimentos mais fortes.

O crescimento desacelerou ⁠drasticamente em maio, com a queda na produção pesqueira e ⁠o enfraquecimento das exportações ⁠agrícolas, ​expondo a vulnerabilidade do país a choques relacionados ao clima.

(Reportagem de Marco Aquino, em Lima, e Lucinda Elliott, em Buenos Aires)

Reuters

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