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Galípolo diz ser normal que alta do crédito amplie endividamento, mas demonstra preocupação

Galípolo diz ser normal que alta do crédito amplie endividamento, mas demonstra preocupação

Reuters

24/08/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, fala em coletiva de imprensa na sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, Brasil, em 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, fala em coletiva de imprensa na sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, Brasil, em 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  24/08/2026

24 Ago (Reuters) - O presidente do Banco Central, ​Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira ser normal que o endividamento no país cresça em meio a um cenário de impulso do crédito, mas demonstrou preocupação com o tema, citando crescimento de linhas de financiamento mais caras e sem garantia.

Em participação no evento Febraban Tech, em São Paulo, Galípolo afirmou que diante da ampliação do acesso a serviços financeiros no Brasil nos últimos anos, é importante promover o uso responsável dos instrumentos.

'Se você promoveu de alguma maneira uma elevação do crédito, é ⁠normal ⁠você esperar que o endividamento também ​cresça', disse. 'A ‌inclusão financeira é essencial, ela ocorreu, foi um movimento muito importante. Agora, é importante que a gente consiga ter o uso responsável dos serviços financeiros.'

Galípolo ressaltou que o indicador de endividamento das famílias que exclui financiamentos ⁠imobiliários 'cresceu bastante, acentuando essa preocupação'. Também destacou que o consignado privado ​foi o maior fator recente por trás da expansão do crédito das ​famílias.

Ao levantar questionamento sobre o fato de o ‌endividamento seguir crescendo ​mesmo em ⁠um ambiente de emprego e renda em alta, o presidente do BC apontou a pressão gerada por empréstimos sem garantia e cartão de crédito.

Ele também citou atrasos em ​pagamentos de financiamentos de veículos e de crédito consignado privado, que saltou diante do estímulo promovido pelo governo e registrou alta na inadimplência e ampliação dos juros.

Galípolo acrescentou que bancos precisam estar devidamente provisionados para o risco das ​operações que oferecem, ressaltando que o BC está debruçado sobre medidas prudenciais e avaliando experiências internacionais.

'Ninguém quer assistir o crescimento de uma instituição no mercado a partir de uma aposta de que se por acaso tiver algum problema, ou a música parar, esse problema não vai estar no balanço dele', afirmou.

No ano passado, o BC liquidou o Banco Master, que cresceu fortemente a partir da emissão de títulos ​de dívida com rendimentos elevados e garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas apresentou ‌inconsistências no balanço, tema que também ⁠é alvo de investigação policial. O banco não foi mencionado diretamente pelo presidente do BC nesta segunda.

Na apresentação, Galípolo afirmou que a autarquia já tomou ⁠uma série de medidas relacionadas a segurança, fraudes ⁠e ao FGC, ressaltando que esse processo ⁠não tem um 'ponto ⁠de ​chegada' e que novas ações seguirão sendo adotadas.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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