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Governo Trump aproveita erro em Nova Jersey para exigir dados eleitorais de não-cidadãos dos EUA

Governo Trump aproveita erro em Nova Jersey para exigir dados eleitorais de não-cidadãos dos EUA

Reuters

22/07/2026

Placeholder - loading - Pessoas votam durante as eleições primárias para o Congresso dos EUA em Nova Jersey 2 de junho de 2026 REUTERS/Eduardo Munoz
Pessoas votam durante as eleições primárias para o Congresso dos EUA em Nova Jersey 2 de junho de 2026 REUTERS/Eduardo Munoz

Por Andrew Goudsward

WASHINGTON, 22 Jul (Reuters) - O Departamento de ​Justiça dos Estados Unidos cobrou dados de Nova Jersey sobre não-cidadãos norte-americanos que, segundo o Estado, foram registrados acidentalmente para votar, enquanto o governo Trump busca utilizar esses erros em sua disputa mais ampla com os governos estaduais sobre a segurança eleitoral.

Em uma carta enviada à governadora democrata de Nova Jersey, Mikie Sherrill, o Departamento de Justiça exigiu que o Estado forneça os nomes, nacionalidades e endereços dos cerca de 6.600 não-cidadãos que foram acidentalmente registrados para votar entre 2023 e 2024.

O departamento afirmou que também quer informações sobre as 400 pessoas que, segundo Nova Jersey, ⁠votaram, incluindo ⁠quando e onde votaram.

A carta foi a ​mais recente ‌iniciativa do governo Trump para pressionar Estados a entregarem dados eleitorais. Trump alegou, sem apresentar provas, que as eleições de meio de mandato de novembro -- quando seu Partido Republicano defenderá maiorias estreitas no Congresso -- poderiam ser comprometidas, a menos que medidas de ⁠segurança mais rigorosas sejam adotadas.

O Departamento de Justiça já ameaçou processar criminalmente autoridades ​estaduais que, conscientemente, permitirem que não-cidadãos permaneçam em suas listas eleitorais ou votem.

Um porta-voz ​de Sherrill não respondeu imediatamente a um pedido de ‌comentário sobre a carta ​de Harmeet ⁠Dhillon, chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça.

O governo Trump tem afirmado repetidamente que o voto de não-cidadãos norte-americanos representa uma grande ameaça à segurança eleitoral. Uma análise da Reuters ​identificou apenas 129 processos federais por voto de não-cidadãos em três décadas e constatou que muitos casos decorrem de confusão ou mal-entendidos por parte dos eleitores.

Democratas e especialistas em eleições afirmam que as tentativas de remover em massa os não-cidadãos das listas eleitorais provavelmente privarão muitos ​eleitores qualificados do direito de voto, incluindo novos cidadãos norte-americanos.

Sherrill revelou na terça-feira que uma falha de software adicionou cerca de 6.600 não-cidadãos às listas eleitorais de Nova Jersey, embora eles tivessem declarado não serem cidadãos norte-americanos ao solicitarem carteiras de motorista ou documentos de identidade. Sherrill afirmou que não há evidências de que o erro tenha influenciado os resultados das eleições.

Nova Jersey é um dos cerca de 30 Estados, em sua maioria liderados por democratas, contra os quais o ​Departamento de Justiça entrou com ação para obter dados eleitorais não-públicos, em um esforço para examinar ‌se não-cidadãos foram autorizados a se registrar. ⁠O Departamento de Justiça perdeu todos os 16 processos decididos até o momento, embora esteja recorrendo de algumas dessas decisões.

A carta de Dhillon afirma que a divulgação na terça-feira “fornece uma ⁠base adicional” para que o governo federal examine a lista ⁠eleitoral de Nova Jersey.

Nova Jersey solicitou a um ⁠juiz que arquive ⁠o ​processo, argumentando que o Departamento de Justiça não possui autoridade legal para tal solicitação.

(Reportagem de Andrew Goudsward)

Reuters

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