Governo Trump libera US$600 mi para a Gavi em iniciativa global de vacinação
Governo Trump libera US$600 mi para a Gavi em iniciativa global de vacinação
Reuters
29/07/2026
Por Ismail Shakil
29 Jul (Reuters) - O governo Trump anunciou nesta quarta-feira que liberará imediatamente US$600 milhões em verbas aprovadas pelo Congresso para a compra de vacinas destinadas aos países mais pobres do mundo, depois que Washington reteve os recursos devido a preocupações infundadas com a segurança levantadas pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia afirmado em junho que era hora de retomar o diálogo com a aliança global Gavi, com sede em Genebra, que ajuda os países mais pobres do mundo a adquirir vacinas para proteger crianças contra doenças como sarampo e difteria, citando tanto as preocupações do Congresso quanto “nossas metas em matéria de saúde global”.
No mês anterior, a diretora-executiva da Gavi, Sania Nishtar, havia afirmado que a Gavi estava deixando de utilizar vacinas que contivessem um conservante à base de mercúrio, sobre o qual Kennedy havia levantado preocupações.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou em comunicado nesta quarta-feira que a decisão de liberar os recursos foi tomada depois que a Gavi se comprometeu “a trabalhar pela transição das vacinas que contêm mercúrio e pela ampliação do acesso a alternativas mais recentes e livres de mercúrio”.
Representantes da Gavi não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Grupos antivacinas, incluindo um fundado por Kennedy, vêm alegando há décadas que o timerosal, um conservante à base de mercúrio usado em vacinas, está associado ao autismo e a outros distúrbios do desenvolvimento neurológico, apesar de muitos estudos não indicarem problemas de segurança relacionados.
Kennedy, um cético de longa data em relação às vacinas, afirmou em junho de 2025 que os EUA não forneceriam mais nenhum financiamento — o que representa cerca de US$300 milhões por ano — porque a Gavi ignorava a segurança. Ele não apresentou evidências para sustentar sua alegação.
Anteriormente, os EUA contribuíam com cerca de 13% do financiamento da Gavi, e a organização iniciou uma série de medidas de corte de custos para tentar lidar com o déficit, que foi agravado por cortes de outros países de alta renda.
O Departamento de Estado informou nesta quarta-feira que os EUA esperam retomar seu lugar no conselho da Gavi e que avaliarão qualquer apoio futuro dos EUA ao grupo com base no “desempenho comprovado, na prestação de contas e na implementação” das reformas.
(Reportagem de Ismail Shakil e Kanishka Singh)
Reuters

