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Governo Trump pede à Suprema Corte dos EUA que autorize restrições a voto pelo correio

Governo Trump pede à Suprema Corte dos EUA que autorize restrições a voto pelo correio

Reuters

27/07/2026

Placeholder - loading - Cédula de votação por correspondência durante as eleições primárias da Pensilvânia 19 de maio de 2026 REUTERS/Hannah Beier
Cédula de votação por correspondência durante as eleições primárias da Pensilvânia 19 de maio de 2026 REUTERS/Hannah Beier

Por Andrew Chung

27 Jul (Reuters) - O governo do presidente Donald Trump solicitou, ​nesta segunda-feira, à Suprema Corte dos Estados Unidos que autorize a implementação em todo o país de decreto presidencial que torna mais rígidas as regras para o voto por correspondência a poucos meses das eleições de meio de mandato, em novembro, que decidirão o controle do Congresso.

Em um documento apresentado à corte, o Departamento de Justiça solicitou que seus integrantes suspendam decisão judicial impedindo a aplicação da diretiva do presidente republicano em 23 Estados -- a maioria deles governados por democratas -- e em Washington, que haviam contestado o decreto por considerá-lo inconstitucional, enquanto o processo judicial segue seu curso.

A Suprema Corte determinou que esses Estados respondam ao pedido do Departamento de Justiça até 3 de agosto.

A juíza federal Indira Talwani rejeitou o argumento do governo de que os Estados não tinham legitimidade para contestar a diretiva de ⁠Trump. Em junho, ⁠Talwani avaliou que o presidente não tinha autoridade para ​ordenar mudanças na ‌forma como os Estados administram as eleições federais, observando que, segundo a Constituição dos EUA, cabe aos Estados determinar os requisitos de elegibilidade dos eleitores.

O governo defendeu que a decisão de Talwani seja anulada, pois a ação judicial é prematura.

Agências federais “ainda estão deliberando sobre como implementar o decreto, mas o tribunal distrital decidiu preventivamente que qualquer que seja a decisão das ⁠agências, ela será necessariamente ilegal”, afirmou o Departamento de Justiça em seu documento.

Emitido em março, o decreto ​de Trump integra seus esforços mais amplos para promover mudanças nas eleições dos EUA.

Trump, que fez falsas acusações de fraude generalizada ​nas eleições dos EUA -- incluindo sua derrota em 2020 para o democrata Joe ‌Biden --, tem pressionado o Congresso, ​controlado pelos ⁠republicanos, a aprovar um polêmico pacote de restrições eleitorais chamado SAVE America Act.

Trump prometeu acabar com o uso de cédulas por correspondência em todo o país antes das eleições de meio de mandato e vem colocando em dúvida a segurança dessas cédulas, embora sejam raras as evidências ​de fraude eleitoral.

A restrição ao voto por correspondência beneficiaria desproporcionalmente os republicanos, já que os eleitores democratas tradicionalmente têm sido mais propensos a usar o voto por correspondência do que os eleitores republicanos.

O decreto de Trump instruiu o Departamento de Segurança Interna a compilar e transmitir aos Estados uma lista de cidadãos norte-americanos elegíveis para votar em cada Estado, e o Departamento de Justiça a priorizar a ​investigação e o processo judicial contra autoridades eleitorais estaduais e locais que emitam cédulas para pessoas consideradas “não elegíveis”.

O decreto também exige que o Serviço Postal dos EUA entregue cédulas apenas aos eleitores constantes da lista de votação por correspondência aprovada de cada Estado. O Serviço Postal tomou medidas recentemente para implementar a diretiva de Trump.

Os Estados que questionam a medida, incluindo Califórnia e Massachusetts, entraram com uma ação no tribunal federal de Boston para contestar a ordem de Trump. Um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais republicanos interveio no caso para defender a diretiva de Trump.

Talwani concluiu que as alegações dos Estados não eram prematuras, como havia argumentado o governo, e que eles ​tinham legitimidade para entrar com a ação contra a diretiva de Trump, pois enfrentariam perturbações na administração eleitoral, custos de conformidade e uma ‌ameaça credível de processo criminal.

A juíza também observou que as agências ⁠federais não têm capacidade para compilar listas precisas de eleitores para cada Estado.

O Departamento de Justiça solicitou ao 1º Tribunal de Apelações do Circuito dos EUA, com sede em Boston, que suspendesse a decisão de Talwani com base na visão do governo de ⁠que os requerentes não tinham legitimidade para entrar com a ação. O 1º Circuito ⁠rejeitou o pedido no sábado.

Em junho, a Suprema Corte rejeitou ⁠uma contestação apoiada pelos republicanos ⁠contra ​as leis estaduais que permitem a contagem de cédulas enviadas pelo correio recebidas após o dia da eleição.

(Reportagem de Andrew Chung, em Nova York)

Reuters

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