Guerra na Ucrânia mostra que Conselho de Segurança da ONU não responde a desafios globais, diz Lula
Guerra na Ucrânia mostra que Conselho de Segurança da ONU não responde a desafios globais, diz Lula
Reuters
17/07/2023
Atualizada em 17/07/2023
(Reuters) -O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que a guerra na Ucrânia é 'uma confirmação' de que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) 'não atende' aos desafios do mundo atual e que os próprios membros do organismo não respeitam a Carta da ONU.
'A guerra na Ucrânia é mais uma confirmação de que o Conselho de Segurança das Nações Unidas não atende aos atuais desafios à paz e à segurança. Seus próprios membros não respeitam a Carta da ONU', disse Lula em discurso na cúpula Celac-União Europeia, em Bruxelas.
O presidente também reiterou que o Brasil repudia o uso da força como meio de resolver disputas e apoia iniciativas de diferentes países e regiões pelo cessar-fogo na Ucrânia, além de indicar que dividir o mundo em blocos antagônicos seria 'uma insensatez'.
'Precisamos de paz para superar os grandes desafios que temos diante de nós e isso implica mudanças sistêmicas profundas. Dividir o mundo em blocos antagônicos seria uma insensatez', disse.
Lula também afirmou que é 'inadiável' reformar o modelo de governança global e que o atual sistema 'perpetua assimetrias' e 'aumenta a instabilidade'. Ele disse que o tema será central durante a presidência brasileira do G20, em 2024.
Mais cedo, durante fala em fórum empresarial entre UE e países da América Latina, Lula já havia condenado o uso de recursos para fins bélicos na Europa como um desvio da priorização de assuntos mais essenciais.
'A guerra no coração da Europa lança sobre o mundo o manto da incerteza e canaliza para fins bélicos recursos até então essenciais para a economia e programas sociais', disse.
Desde que tomou posse em 1º de janeiro, Lula tem se colocado como um possível mediador para o conflito na Ucrânia e defendido a resolução por vias diplomáticas, criticando o Ocidente pelo fornecimento de armas ao lado ucraniano.
Declarações anteriores de Lula pedindo que países aliados de Kiev parem de enviar armas à Ucrânia para evitar um prolongamento da guerra com a Rússia foram criticadas por nações ocidentais, em especial os Estados Unidos.
(Por Fernando Cardoso, em São PauloEdição de Pedro Fonseca)
Reuters

