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Ibovespa sobe com Vale, mas receio fiscal mantém índice abaixo dos 186 mil pontos

Ibovespa sobe com Vale, mas receio fiscal mantém índice abaixo dos 186 mil pontos

Reuters

17/09/2026

Placeholder - loading - Painel eletrônico exibe informações na Bolsa de Valores B3, em São Paulo 10 de julho de 2025 REUTERS/Alexandre Meneghini
Painel eletrônico exibe informações na Bolsa de Valores B3, em São Paulo 10 de julho de 2025 REUTERS/Alexandre Meneghini

Atualizada em  17/09/2026

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 17 Set (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, assegurada principalmente pelo avanço de 2% ​da blue chip Vale, após reação negativa no pregão ao anúncio de reajuste do Bolsa Família e seus potenciais efeitos nas contas públicas e no cenário eleitoral.

Nova pesquisa eleitoral também ocupou as atenções, reforçando o cenário de disputa acirrada pelo Palácio do Planalto, assim como a decisão de política monetária do Banco Central, que reduziu a Selic a 13,75% na véspera e deixou em aberto os próximos movimentos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,24%, a 185.992,03 pontos, após chegar a 186.740,72 pontos na máxima do dia (+0,72%). No pior momento, cravou 183.242,37 pontos, queda de 1,2%.

O volume financeiro no pregão somou R$26,81 bilhões, em sessão ainda marcada por desempenho robusto de Wall Street e queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

A menos de 20 dias das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca novo mandato, anunciou aumento de 15% nos benefícios do Bolsa Família a partir de outubro, estimando um custo fiscal de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.

De acordo com profissionais do mercado financeiro, embora a iniciativa tenha efeitos positivos sobre renda e inclusão social, o momento de sua divulgação e a ampliação dos gastos voltaram a alimentar questionamentos sobre a trajetória fiscal do país e a sustentabilidade da dívida pública nos próximos anos.

Além disso, eles também citaram que a medida é um componente que pode aumentar as chances de reeleição de Lula, em um momento no qual pesquisas de intenção de voto têm mostrado ⁠um cenário bastante acirrado nas simulações de segundo turno ⁠contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o Planalto.

O Ibovespa, que vinha com sinal positivo, passou ​a cair mais de ‌1% após o anúncio sobre o Bolsa Família, enquanto as taxas dos DIs engataram alta e o dólar também ganhou terreno ante real.

Na visão do analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, a reação foi mais uma resposta imediata à preocupação fiscal do que uma mudança de percepção.

Ele acrescentou que pesou o fato de a medida vir a cerca de duas semanas do primeiro turno e não estar contemplada na proposta orçamentária de 2027, ainda que o governo afirme que há espaço fiscal para absorvê-la nos dois exercícios, com remanejamento de sobras de outras despesas.

'Enquanto o mercado não tiver mais clareza sobre o rumo do fiscal, fica difícil a curva de juros fechar de ⁠forma consistente', afirmou. O movimento nos DIs costuma influenciar a bolsa, com a queda (fechamento) das taxas atuando como componente benigno.

Uma parcela no mercado acredita que uma mudança de governo ​em Brasília resultaria em uma política fiscal mais equilibrada, com medidas para frear o crescimento da dívida pública em relação ao PIB, o que explica a reação positiva na bolsa a notícias que corroborem expectativas de troca ​no Palácio do Planalto -- e vice-versa.

Mais cedo, pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Flávio ampliou sua vantagem sobre Lula (PT) em um eventual segundo turno da eleição ‌presidencial, embora os candidatos permaneçam em empate técnico, o que ajudou ​a ⁠amenizar o efeito do reajuste do Bolsa Família após uma primeira reação mais negativa. A quinta-feira ainda reserva novo levantamento Datafolha sobre a disputa.

Estrategistas do BTG Pactual mantiveram a classificação neutra para as ações brasileiras em seu portfólio para a América Latina, ressaltando que a corrida eleitoral está totalmente indefinida.

'Acreditamos que a eleição está acirrada demais para permitir previsões confiáveis e, por isso, continuamos favorecendo empresas de alta qualidade e elevada liquidez, que, em nossa avaliação, tendem a apresentar bom desempenho sob qualquer um dos cenários, seja uma ​vitória do atual governo ou da oposição', afirmaram em relatório a clientes.

'Temos evitado recomendações de ações cuja tese de investimento dependa excessivamente de uma melhora fiscal. Podemos mudar essa abordagem se houver razões para isso, mas acreditamos que a classificação atual para o país, Neutra, com foco em qualidade e liquidez, continua sendo a melhor forma de navegar o cenário que está por vir.'

Investidores da bolsa paulista também analisaram nesta sessão a decisão do Banco Central na véspera de cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano. A autoridade monetária deixou os próximos passos em aberto ao afirmar, ao fim da última reunião de política monetária antes das eleições presidenciais, que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na ​condução da política monetária.

De acordo com Villela, o corte de 0,25 ponto já vinha sendo desenhado há algumas semanas e era praticamente consenso, 'então sobrou pouco para o mercado reprecificar'.

Ele destacou que a magnitude do corte não muda a conta de ninguém nem deixa a bolsa mais atrativa, uma vez que o investidor continua muito bem remunerado na renda fixa a 13,75%.

'Na minha visão, o que faz o investidor migrar para risco não é o corte em si, é a convicção de que existe um ciclo mais longo pela frente. Enquanto essa percepção não se consolidar, entendo que a bolsa segue sem um gatilho próprio e continua andando mais ao sabor das commodities e do humor externo.”

De acordo com a B3, a bolsa voltou a registrar entrada líquida de estrangeiros no último dia 15, após duas sessões com saída, passando a acumular em setembro saldo positivo de R$7,25 bilhões até a última terça-feira. Até o dia 14, eram R$7 bilhões.

No exterior, o S&P 500 avançou 1,14%, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no mercado internacional.

(Por Paula Arend LaierEdição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)

Reuters

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