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Indústria do Brasil tem em julho contração mais forte em 5 meses com retração da demanda, mostra PMI

Indústria do Brasil tem em julho contração mais forte em 5 meses com retração da demanda, mostra PMI

Reuters

03/08/2026

Placeholder - loading - Vista do Rio de Janeiro 4 de junho de 2026. REUTERS/Pilar Olivares
Vista do Rio de Janeiro 4 de junho de 2026. REUTERS/Pilar Olivares

Atualizada em  03/08/2026

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 3 Ago (Reuters) - A indústria ​brasileira apresentou contração em julho após mostrar fôlego no mês anterior, uma vez que a concorrência, a retração da demanda, as pressões inflacionárias e a guerra no Oriente Médio reduziram consideravelmente os volumes de vendas, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira.

Em julho, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor industrial, compilado pela S&P Global, caiu a 47,5, de 50,8 em junho, marcando a contração mais intensa desde fevereiro. A marca de 50 separa crescimento de retração.

'A preocupação agora é que a fraqueza da indústria se espalhe para outras partes da ⁠economia. As ⁠fábricas são grandes clientes dos setores de ​transporte, logística, ‌armazenagem, manutenção e serviços empresariais. Se a produção continuar caindo, a demanda por esses serviços também poderá enfraquecer, gerando um impacto mais amplo sobre o crescimento econômico', alertou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

As novas ⁠encomendas -- maior componente do índice -- registraram a queda mais acentuada em mais ​de três anos, com contrações mais intensas nas categorias de bens de consumo e ​de bens intermediários.

A demanda internacional por produtos brasileiros voltou ‌a se deteriorar, embora ​em ⁠ritmo mais fraco do que em junho, com as empresas consultadas relatando vendas menores para a China, a Europa e a América Latina.

Com a queda das encomendas tanto no mercado doméstico quanto ​no externo, as empresas reduziram os volumes de produção pelo terceiro mês consecutivo, no ritmo mais forte desde fevereiro.

Em resposta a esse cenário, as empresas cortaram o número de funcionários depois de cinco meses de criação de vagas. Algumas delas atribuíram as reduções no quadro ​de funcionários ao desempenho fraco das vendas, enquanto outras relataram falta de candidatos adequados para preencher vagas existentes.

As empresas do setor industrial sinalizaram ainda aumento dos custos em relação a junho, com itens eletrônicos, alimentos, frete, combustíveis, produtos químicos, metais e plásticos sendo apontados como mais caros.

Os aumentos de preços foram associados à guerra no Oriente Médio, ainda que eles tenham desacelerado para o menor nível em cinco meses.

A inflação dos preços cobrados pelos fabricantes recuou para ​o menor nível em quatro meses, enquanto a diferença entre os dois indicadores de preços foi ‌a menor desde fevereiro.

O PMI mostrou ⁠ainda que, em julho, uma proporção maior dos participantes da pesquisa mostrou-se otimista em relação às perspectivas para a produção nos próximos 12 meses, na comparação com junho -- 66% ⁠ante 53%. Como resultado, o nível geral de confiança aumentou.

Além ⁠de projetarem uma melhora da demanda e ⁠dos investimentos após as ⁠eleições ​presidenciais, em outubro, as empresas esperam se beneficiar de aquisições, lançamentos de novos produtos e parcerias.

Reuters

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