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Indústria no Brasil marca 10º mês seguido de retração em fevereiro, mostra PMI

Indústria no Brasil marca 10º mês seguido de retração em fevereiro, mostra PMI

Reuters

02/03/2026

Placeholder - loading - Fábrica da BYD em Camaçari, Bahia 03/02/2026. REUTERS/Rafael Martins
Fábrica da BYD em Camaçari, Bahia 03/02/2026. REUTERS/Rafael Martins

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 2 Mar (Reuters) - O ​setor industrial brasileiro registrou retração em fevereiro pelo 10º mês seguido, ainda que em um ritmo ligeiramente mais fraco, mas com a menor entrada de novos negócios em cinco meses, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras nesta segunda-feira.

O PMI, compilado pela S&P Global, avançou a 47,3 em fevereiro, de 47,0 em janeiro, mas permanecendo abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração registrada desde maio de 2025, mostrando uma sólida deterioração do setor.

O segmento de ⁠bens de ⁠capital teve o pior desempenho no ​mês, ‌e os produtores de bens intermediários apontaram forte deterioração. No entanto, as condições operacionais se estabilizaram entre os fabricantes de bens de consumo.

O levantamento mostra que as empresas reduziram a produção em fevereiro em meio ⁠à redução da demanda, com a queda na entrada de novos ​negócios no ritmo mais forte desde setembro.

As empresas citaram condições desfavoráveis de ​demanda, desafios no setor automotivo, a concorrência ‌e as taxas de ​juros ⁠elevadas como os principais fatores que pesaram sobre as vendas.

As encomendas internacionais continuaram em trajetória de queda, recuando pelo 11º mês consecutivo. Os participantes da pesquisa relataram ​especialmente vendas menores para a Argentina, Europa e Estados Unidos.

Ainda assim houve um aumento marginal no emprego em fevereiro, quando equipes reduzidas levaram alguns produtores a anunciar novas vagas, em meio à expectativa de aprovação de contratos pendentes ​e de que a Copa do Mundo este ano dará impulso à demanda.

A Copa do Mundo, em junho e julho, foi um dos fatores que fez com que o otimismo no setor permanecesse positivo, sendo citados ainda publicidade, investimentos planejados e lançamentos de novos produtos. Mas ainda assim o nível de confiança recuou para o menor nível em dez meses, diante da preocupação com a ​concorrência e políticas públicas.

Em relação às pressões inflacionárias, tanto os custos de insumo ‌quanto os preços de produção avançaram. ⁠As empresas relataram o aumento mais rápido das despesas operacionais em sete meses, com tensões geopolíticas, especulação no mercado acionário e taxas de câmbio desfavoráveis ⁠pesando sobre os preços de componentes eletrônicos, alimentos, ⁠metais e plásticos.

Os preços cobrados pelos ⁠produtos brasileiros também ⁠subiram ​no ritmo mais intenso desde julho de 2025, com repasse dos custos aos clientes.

Reuters

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