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IPCA-15 desacelera mais que o esperado em julho com queda de alimentos

IPCA-15 desacelera mais que o esperado em julho com queda de alimentos

Reuters

28/07/2026

Placeholder - loading - Carne de frango à venda em mercado de São Paulo  20 de maio de 2025. REUTERS/Jorge Silva
Carne de frango à venda em mercado de São Paulo 20 de maio de 2025. REUTERS/Jorge Silva

Atualizada em  28/07/2026

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 28 Jul (Reuters) - A alta do IPCA-15 ​em julho desacelerou bem mais do que o esperado diante da queda dos preços dos alimentos, com a taxa em 12 meses aproximando-se mais da meta de inflação, a uma semana da próxima decisão do Banco Central sobre a taxa de juros.

Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,06%, após avanço de 0,41% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

Com isso, o IPCA-15 passou a acumular nos 12 meses até julho alta de 4,52%, contra 4,80% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de avanços de 0,20% na comparação mensal e de 4,67% em 12 meses.

O Banco Central ⁠volta a se ⁠reunir na próxima semana para decidir sobre a política ​monetária, depois ‌de ter cortado a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, deixando os próximos passos em aberto e indicando que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028.

'Para o mercado financeiro, o dado reforça a percepção de que o Banco Central ganhou ⁠mais espaço para seguir reduzindo a Selic de forma gradual. Ainda há desafios, principalmente na inflação ​de serviços e nas questões fiscais, mas esse resultado fortalece a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual ​na reunião de agosto do Copom', disse Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD.

Em julho, ‌os preços de Alimentação e ​bebidas tiveram ⁠queda de 0,66%, após alta de 0,74% no mês anterior. A alimentação no domicílio teve queda de 1,14%, com destaque para os recuos do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%). Por outro lado, cebola (7,10%) e pão francês (0,65%) apresentaram altas.

Habitação teve o maior impacto positivo ​ao subir 0,97%, acelerando ante a taxa de 0,72% de junho. A energia elétrica residencial subiu 3,03%, exercendo o principal impacto individual no resultado do IPCA-15 no mês.

A bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil neste mês permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

O grupo Transportes teve alta de 0,11% em julho no IPCA-15, depois de ​recuar 0,03% no mês anterior, reflexo do aumento de 11,70% nos preços da passagem aérea. Por outro lado, os combustíveis caíram 0,90%, com todos apresentando queda: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).

Nas contas de André Valério, economista sênior do Inter, a inflação de serviços ficou praticamente estável ao sair de 0,4% em junho para 0,41% em julho, movimento explicado pelo comportamento das passagens aéreas. Excluindo esse item, a inflação de serviços recuou de 0,26% em junho para 0,15% em julho.

'A inflação de serviços não indica ser fonte de pressão inflacionária com base nas duas últimas leituras, reforçando a visão de que a demanda da economia tem moderado ​na margem', afirmou, ressaltando ainda que o índice de difusão recuou de 60,2% para 48,2%, menor valor desde outubro de 2023.

'Temos visto ‌cada vez mais evidências de que a política monetária ⁠restritiva tem contribuído para moderar a atividade, contribuindo para menores pressões de demanda na inflação', completou ele, que vê a Selic a 13,25% ao final do ano.

De acordo com a mais recente pesquisa Focus do BC, a projeção dos economistas para o ⁠IPCA este ano é de alta de 5,12%, e de 4,22% em 2027. ⁠A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 14,00%.

O ⁠IPCA-15 estima a variação ⁠de ​preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

(Edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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