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Irã diz ter atacado alvos militares dos EUA no Golfo Pérsico e sepulta líder assassinado

Irã diz ter atacado alvos militares dos EUA no Golfo Pérsico e sepulta líder assassinado

Reuters

09/07/2026

Placeholder - loading - Pessoas em luto se reúnem no dia do enterro do falecido Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em 9 de julho de 2026. REUTERS/Mohammed Salem.
Pessoas em luto se reúnem no dia do enterro do falecido Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em 9 de julho de 2026. REUTERS/Mohammed Salem.

Atualizada em  09/07/2026

Por Nayera Abdallah e Tala Ramadan e Ahmed Elimam

DUBAI, 9 Jul (Reuters) - As forças armadas iranianas ​lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos no Golfo Pérsico nesta quinta-feira, após ofensivas norte-americanas nas províncias costeiras do sul e do leste do Irã, colocando ainda mais pressão sobre o acordo de cessar-fogo.

Os ataques ocorreram no mesmo dia em que o Irã enterrou seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, no santuário de Mashhad, ponto alto de uma semana de cortejos fúnebres e manifestações em massa. Khamenei foi morto em um ataque aéreo dos EUA no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.

O corpo de Khamenei foi transportado lentamente em um caminhão pelas ruas lotadas em direção ao Santuário do Imã Reza. Enlutados vestidos de preto agitavam bandeiras iranianas, fotografias do falecido líder e cartazes vermelhos com slogans revolucionários.

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os ataques dos EUA e a intervenção na navegação pelo Estreito de Ormuz estavam interrompendo a reabertura gradual da hidrovia.

A Guarda Revolucionária afirmou que o número de embarcações que transitam pelo estreito sob supervisão iraniana subiu para cerca de 50% dos níveis pré-guerra nas últimas duas semanas, acrescentando que a permissão está sendo concedida apenas a navios que utilizam rotas designadas por Teerã.

Qualquer intervenção adicional dos ⁠EUA provocará uma 'resposta esmagadora', disseram os ⁠membros da Guarda Revolucionária.

Na quarta-feira, o exército norte-americano afirmou que seus últimos ​ataques visavam manter ‌o Estreito de Ormuz aberto, após alegar que forças iranianas atacaram três petroleiros na região. As ações ocorreram horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter declarado acreditar que o cessar-fogo provisório com o Irã havia terminado.

Embora o Irã não tenha reivindicado a responsabilidade pelos ataques aos navios, analistas afirmam que Teerã utiliza essas ações para obter vantagem nas negociações.

Os preços do petróleo, que haviam disparado em meio a preocupações com o impacto dos novos ataques à navegação e ao abastecimento global, recuaram nesta quinta-feira, enquanto os investidores avaliavam ⁠se a escalada do conflito era temporária ou se poderia ser o prenúncio de um colapso total do cessar-fogo.

PERÍMETRO DE USINA NUCLEAR ATINGIDO

Autoridades iranianas ​disseram que os ataques dos EUA mataram 14 pessoas e feriram 78 em cinco províncias na quarta e na quinta-feira, informou a mídia estatal. A agência Fars disse que ​um dos ataques dos EUA atingiu uma ponte ferroviária usada para o comércio com a Rússia e a ‌China.

Diversas explosões foram ouvidas na manhã desta quinta-feira ​na província ⁠de Bushehr, no Irã, e em Bandar Abbas, cidade portuária na costa sul do país, informou a agência de notícias semioficial Mehr.

Bushehr abriga uma usina nuclear construída pela Rússia, e um funcionário local declarou posteriormente à mídia estatal que um projétil norte-americano atingiu o perímetro da instalação. O perímetro já havia sido atingido diversas vezes durante o conflito atual, antes do cessar-fogo de 8 de abril.

Os ataques dos ​EUA também atingiram uma instalação militar e um cais de pesca na província de Bushehr, disse o vice-governador local.

ALVOS NO CATAR, KUWEIT E BAHREIN

Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, o exército iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra sistemas Patriot dos EUA no Kuweit, contra uma estação de alerta antecipado no Catar (antena de satélite) e contra um depósito de combustível do exército norte-americano no Bahrein.

O Kuweit informou que suas forças armadas interceptaram um míssil de cruzeiro, três mísseis balísticos e dez drones em seu espaço aéreo. Uma pessoa ficou ferida por estilhaços.

Sirenes também soaram na Jordânia nesta ​quinta-feira, após mísseis lançados do Irã terem sido detectados no espaço aéreo do país, informou a agência de notícias estatal. Oito mísseis foram interceptados e não há relatos de feridos ou danos, segundo a agência.

Mais tarde, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o país disparou dez mísseis balísticos contra a base militar de Azraq, na Jordânia, utilizada pelas forças norte-americanas e também por um centro de controle militar dos EUA no Oriente Médio, sem dar mais detalhes.

O Catar, que abriga a maior base militar dos EUA na região e frequentemente atua como mediador entre Washington e seus adversários, incluindo Teerã, condenou os ataques à navegação comercial, mas também pediu o retorno à diplomacia.

Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo. Desde então, Teerã assumiu o controle efetivo do estreito, o que lhe permitiu impor um impasse no confronto com a força militar mais poderosa do mundo.

'Os EUA ainda não aprenderam que ​intimidar e quebrar compromissos não são mais impunes. Deixe-me ser claro: se você atacar, será atacado de volta', escreveu o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, no X.

'O Estreito de Ormuz só será ‌reaberto mediante acordo com o Irã, e não por meio de ameaças dos EUA.'

RETALIAÇÃO

O ⁠Comando Central dos EUA afirmou na quarta-feira que suas forças atacaram aproximadamente 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira e locais de armazenamento de mísseis e drones.

'Isso é uma retaliação pelo bombardeio de navios realizado ontem pelo Irã. Se acontecer novamente, será muito pior!', escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

No entanto, o líder norte-americano, que ⁠participava de uma cúpula da Otan na Turquia, também afirmou não acreditar que os recentes ataques militares levariam a um conflito ⁠generalizado com o Irã.

'Qualquer coisa que aconteça vai passar muito rápido... e só vai tornar tudo ⁠mais seguro, inclusive para o petróleo', disse ⁠ele ​a repórteres em Ancara.

Questionado antes da cúpula sobre se o memorando de entendimento com o Irã havia terminado, Trump disse: 'É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero negociar com eles'.

Reuters

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