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Trump diz que EUA aceitaram pedido do Irã para continuar negociações, mas que cessar-fogo acabou

Trump diz que EUA aceitaram pedido do Irã para continuar negociações, mas que cessar-fogo acabou

Reuters

10/07/2026

Placeholder - loading - Presidente dos EUA, Donald Trump, em Ancara    8 de julho de 2026   REUTERS/Yves Herman
Presidente dos EUA, Donald Trump, em Ancara 8 de julho de 2026 REUTERS/Yves Herman

Atualizada em  10/07/2026

Por Ahmed Elimam e Eman Abouhassira e Andrew Mills

DUBAI, 10 Jul (Reuters) - O presidente ​dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que o Irã pediu a continuação das negociações e que os EUA concordaram, mas que o cessar-fogo acabou.

Sua menção às negociações ocorreu em um dia de relativa calma, ao final de uma semana de conflitos renovados, quando três petroleiros comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram alvo de ataques, levando os EUA a atacar alvos iranianos e o Irã a responder com ataques a instalações militares norte-americanas nos países do Golfo. Nenhum ataque foi relatado nesta sexta-feira.

'A República Islâmica do Irã nos pediu para continuarmos as negociações. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos declararam a eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo ACABOU!', escreveu ele.

IRÃ PRONTO PARA “DEFESA TOTAL”, DIZ NEGOCIADOR

O Irã não respondeu imediatamente à postagem de Trump, mas seu principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, disse em comentários publicados em sua conta no Telegram que a guerra nunca terminaria com a rendição de Teerã.

A República Islâmica estava pronta para uma “defesa total” ⁠caso os EUA traíssem um ⁠memorando de entendimento firmado no mês passado, acrescentou ele.

Esse acordo ​provisório entre os ‌dois países tinha como objetivo abrir caminho para o fim de um conflito que já dura cinco meses, matou milhares de pessoas, restringiu o abastecimento mundial de energia e gerou temores de uma recessão econômica global mais ampla.

Negociadores do Catar se reuniram com autoridades iranianas nesta sexta-feira para tentar reduzir as tensões após a troca de ataques entre Irã e EUA e para discutir a navegação pelo Estreito de Ormuz, disse à ⁠Reuters uma fonte com conhecimento da situação.

O tráfego diário de petroleiros através da importante via navegável parece ter diminuído nesta ​sexta-feira, após a série de ataques ter alimentado preocupações sobre a recuperação do fornecimento global de petróleo e do transporte marítimo.

As negociações do Catar ​visam abordar a implementação do memorando de entendimento entre os EUA e o Irã ‌e as questões que desencadearam a recente ​escalada, incluindo ⁠disputas sobre a navegação no estreito, disse a fonte.

Conversações anteriores foram anunciadas, mas com poucos sinais de progresso concreto. “Vemos relatos de que as discussões estão em andamento e esperamos que estejam”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, em Nova York.

Os preços do petróleo recuaram nesta sexta-feira, mas mantiveram-se a caminho de ganhos semanais de ​5% após as hostilidades. Os títulos do Tesouro dos EUA registraram leve queda devido a preocupações de que a tendência de alta nos preços da energia pudesse agravar as pressões inflacionárias.

OFERTA GLOBAL DE PETRÓLEO AUMENTOU, MAS AINDA ESTÁ ABAIXO DOS NÍVEIS PRÉ-GUERRA

O Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra. Desde então, Teerã assumiu amplamente o controle da via navegável, forçando um impasse em seu ​confronto com a força militar mais poderosa do mundo.

Sob o acordo provisório, os EUA encerraram o bloqueio naval aos portos iranianos, e o Irã concordou em garantir a passagem segura de embarcações comerciais.

No entanto, nesta semana, Washington acusou as forças iranianas de atacar três petroleiros na região e, em resposta, atacou instalações militares no Irã. Embora o Irã não tenha assumido a responsabilidade por esses ataques, analistas afirmam que Teerã utiliza tais ações para ganhar vantagem nas negociações.

O Irã, então, atacou instalações militares dos EUA nos países do Golfo na quinta-feira.

O conselho administrativo da agência de navegação da ONU condenou as tentativas do Irã de impor soberania sobre o Estreito de Ormuz e a “decisão unilateral” de Teerã de criar um órgão para controlar o tráfego pelo estreito.

Antes dos ataques desta semana, o ​tráfego diário de petroleiros havia atingido seu nível mais alto desde o início da guerra, com uma média de 40 navios transitando pelo estreito. Esse número ainda estava ‌muito aquém da média pré-conflito, de 125 a 140 travessias ⁠diárias.

Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmaram, ao darem início à guerra, que seus objetivos eram pôr fim às atividades nucleares do Irã, além de outras metas.

Tammy Bruce, vice-embaixadora dos EUA na ONU, levantou essa questão mais uma vez nesta sexta-feira e voltou a mencionar as negociações, declarando em uma ⁠reunião do Conselho de Segurança: “A porta para a diplomacia permanece aberta e é nosso caminho preferido para ⁠resolver as preocupações relacionadas ao programa nuclear do Irã.”

O Irã, que tem negado ⁠regularmente as acusações de que ⁠estaria ​desenvolvendo uma bomba nuclear, manteve até agora seu estoque de urânio enriquecido quase apto para uso militar, bem como sua capacidade de ameaçar vizinhos com mísseis e drones.

Reuters

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