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Itaú Unibanco vê 'super estabilidade' na inadimplência à frente; ação sobe quase 3%

Itaú Unibanco vê 'super estabilidade' na inadimplência à frente; ação sobe quase 3%

Reuters

05/08/2026

Placeholder - loading - Logo do Itaú em agência do banco em São Paulo 6 de fevereiro de 2025 REUTERS/Tuane Fernandes
Logo do Itaú em agência do banco em São Paulo 6 de fevereiro de 2025 REUTERS/Tuane Fernandes

Atualizada em  05/08/2026

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - O Itaú Unibanco não tem qualquer preocupação prospectiva com ​os índices de inadimplência do banco e trabalha com uma perspectiva de 'super estabilidade' nos indicadores de atraso, afirmou o presidente-executivo da instituição, Milton Maluhy Filho, nesta quarta-feira.

'Nosso portfólio foi construído de tal forma que estamos crescendo naqueles clientes em todos os segmentos mais resilientes, o que segura naturalmente o atraso', afirmou o executivo, em coletiva de imprensa após divulgação do resultado do período de abril a junho na noite da véspera, que mostrou o índice de inadimplência acima de 90 dias em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo.

Apesar da visão de um ambiente desafiador e de um olhar cauteloso, Maluhy Filho afirmou que a carteira de crédito do banco deve crescer acima do ponto médio do guidance se continuar no ritmo atual. 'Mas ainda temos dois trimestres, num cenário desafiador...vamos acompanhar para ver', acrescentou, reforçando que o banco nunca esteve tão preparado para qualquer que seja o cenário que venha pela frente.

A carteira de crédito do Itaú somava R$1,5 trilhão ao final de junho, alta de 9,6% na base anual e de 2,7% na comparação trimestral. O banco reiterou sua projeção para o ano de aumento de 5,5% a 9,5% do portfólio.

Maluhy Filho destacou que Itaú tem crescido naqueles segmentos em que entende que o crédito é um ⁠instrumento de relacionamento saudável no ciclo ⁠de crédito.

'Se a oportunidade de crescer aparecer, vamos crescer e crescer rápido, com ​qualidade. Por quê? ‌Porque temos 'funding', porque temos capital... Se o cenário deteriorar, também tendemos a performar melhor. Por quê? Porque temos uma carteira de crédito com uma qualidade superior ao sistema, sempre com esse olhar de longo prazo, com um balanço robusto, com capital e resultado capaz de absorver.'

Na bolsa paulista, por volta de 11h10, as ações do Itaú Unibanco avançavam 2,99%, a R$43,36, enquanto o Ibovespa subia 1,01%.

Na visão do analista Gustavo Schroden, do Citi, o Itaú divulgou mais um trimestre sólido, com rentabilidade e capital entre os melhores do setor. 'Continuamos vendo o Itaú como um dos bancos ⁠mais bem preparados para atravessar um cenário macroeconômico mais difícil, apoiado por sua forte posição de capital e pela execução disciplinada na gestão de ​custos', afirmou em relatório a clientes.

CENÁRIO DESAFIADOR

Maluhy Filho reiterou que o Itaú tem um olhar cauteloso para a frente, não só pelo cenário local, mas especialmente pelo cenário global.

'Nós estamos vivendo ​uma guerra importante, que não termina e que afeta claramente os preços... gera impactos inflacionários no mundo todo. E ‌nos Estados Unidos, estamos vendo uma economia muito ​pujante, muito ⁠forte e dando sinais de que o Fed vai precisar aumentar os juros, possivelmente dois aumentos até o final do ano', afirmou, destacando também o processo de juros bastante restritivos no Brasil.

'É um cenário que requer cautela, porque juros muito altos por tempos prolongados geram, sem dúvida, uma pressão na atividade, na economia e no endividamento, não só das empresas, como das famílias. E o comprometimento de renda continua bastante elevado', ​pontuou o executivo.

Questionado sobre os potenciais reflexos das eleições no Brasil neste ano, ele afirmou que 'ainda é cedo', que as propostas e planos de governo dos candidatos ainda precisam ser conhecidos, mas não enxerga uma volatilidade 'desproporcional'.

'Alguma volatilidade sempre pode ter, não estamos vendo nenhuma volatilidade desproporcional. Os mercados vão antecipar resultados mais para a frente', disse, chamando a atenção em especial para as discussões envolvendo a trajetória do fiscal. 'Eu acho que esse vai ser um bom debate, qual é a visão do arcabouço, se ele vai mudar, se ele vai mudar, vai mudar para quanto, qual que é o tamanho do superávit ou déficit ​esperado aí no período.'

Ele também afirmou que se deveria começar a falar mais de déficit nominal e falar menos de déficit ou superávit primário, 'porque, dado o tamanho de dívida e o nível de juros, temos que começar a acompanhar mais de perto o déficit nominal, trajetória de curva, trajetória de juros, porque às vezes o juros curto cai, mas se existe uma insegurança, uma incerteza e o prêmio de risco aumenta, as taxas de juros longas, elas aumentam. Isso é onde os clientes se financiam.'

AMERICANAS

Ao comentar sobre a fraude da Americanas, que voltou aos holofotes em junho com operação da Polícia Federal, Maluhy Filho destacou que o sistema financeiro, como um todo, teve perdas bilionárias no caso e questionou ilações de que os bancos podem ter sido coniventes. 'É ilógico imaginar que você, que acaba sendo mais uma vítima relevante da fraude, possa ter participado de uma fraude que você perde bilhões de reais', afirmou.

No final de junho, os empresários Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira foram alvo de ​mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Federal no âmbito de operação que investiga uma suposta fraude contábil da ordem de R$54 bilhões na varejista. Executivos atuais ou com passagem pelos bancos Santander Brasil Bradesco ‌e Itaú Unibanco também sofreram buscas no âmbito da operação.

O presidente-executivo do Itaú acrescentou ⁠que os bancos perderam muito dinheiro com a Americanas. 'Mesmo que se considere as receitas geradas nos períodos anteriores dessas operações de risco sacado, os bancos, o sistema financeiro como um todo, perdeu bilhões de reais. Se puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é super negativo.'

O executivo também afirmou que os bancos não tinham, naturalmente, visibilidade. 'O que se discutia na ⁠época, a empresa discutia com o sistema se ela classificava suas operações entre endividamento bancário ou endividamento de fornecedor. Ninguém imaginava no ⁠sistema que eles estavam ocultando o passivo. Não era uma discussão de classificar entre o fornecedor ⁠e bancos, que era uma questão de ⁠omitir ​e ocultar.'

'Nós refutamos qualquer tentativa de trazer qualquer banco do sistema. Eu não estou falando do Itaú, eu estou falando do sistema financeiro para essa discussão.'

(Por Paula Arend Laier; Edição de Pedro Fonseca e Eduardo Simões)

Reuters

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