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Japão busca virar o jogo contra o Brasil, seu mentor, na Copa do Mundo

Japão busca virar o jogo contra o Brasil, seu mentor, na Copa do Mundo

Reuters

28/06/2026

Placeholder - loading - Treino do Japão na Copa do Mundo da FIFA 2026 - Estádio do Houston Dash e do Dynamo, Houston, Texas, EUA - 28 de junho de 2026. IMAGES via Reuters/Troy Taormina
Treino do Japão na Copa do Mundo da FIFA 2026 - Estádio do Houston Dash e do Dynamo, Houston, Texas, EUA - 28 de junho de 2026. IMAGES via Reuters/Troy Taormina

Por Michael Church

DALLAS, 28 Jun (Reuters) - A jornada de Hajime Moriyasu ​para levar o Japão longe na Copa do Mundo enfrenta, na segunda-feira, um confronto entre mestre e aprendiz nas oitavas de final contra o Brasil, o país que mais influenciou a formação do futebol na nação quatro vezes campeã da Copa da Ásia.

A seleção japonesa viajou para a América do Norte com a ambição de chegar à sua primeira final, e as vitórias de grande repercussão sobre Alemanha, Espanha e Inglaterra nos últimos quatro anos reforçaram a ideia de que o Samurai Azul poderia se destacar.

Essas esperanças, no entanto, enfrentam um grande obstáculo em Houston, que representa muito mais do que apenas mais um adversário, dada a influência avassaladora do Brasil no futebol profissional japonês.

Lançada em 1993, a J-League não apenas se inspirou amplamente nos múltiplos campeões da Copa do ⁠Mundo, mas também contratou ⁠muitos de seus jogadores.

Zico, o craque criativo da ​lendária seleção ‌brasileira da Copa do Mundo de 1982, foi convencido a sair da aposentadoria para se juntar ao Kashima Antlers, enquanto os jogadores da seleção nacional Bismarck e Elivelton deram início a uma onda de jogadores da seleção brasileira que se transferiram para o Japão.

No final da década de 1990, sete jogadores da seleção brasileira que venceu a Copa do ⁠Mundo de 1994, incluindo o capitão Dunga, já haviam jogado ou estavam jogando por clubes japoneses ​e, por extensão, exerceram sua influência sobre um cenário em rápido desenvolvimento.

“Quem não tem prestado atenção ao futebol japonês vai ​se surpreender”, diz César Sampaio, que jogou pela seleção brasileira na Copa ‌do Mundo de 1998 enquanto ​estava sob ⁠contrato com o Yokohama Flugels, da J-League. “Eu não estou surpreso'.

“Desde que estive lá, percebi que o futebol japonês vem melhorando, ano após ano, passo a passo. A disciplina deles sempre me pareceu fantástica'.

“Mas agora eles têm jogadores fantásticos, como (Daizen) Maeda e (Ayase) Ueda. Eles têm um ​ótimo elenco, jogaram bem nas três partidas e enfrentar o Brasil será seu maior desafio.”

'MILAGRE EM MIAMI'

O Japão já teve sucesso contra o Brasil antes, mas nunca em uma Copa do Mundo.

O país conquistou uma vitória surpreendente por 1 a 0 nos Jogos Olímpicos de 1996, que ficou conhecida como o “Milagre em Miami”; e, mais significativamente, a equipe de Moriyasu derrotou o time ​de Carlo Ancelotti por 3 a 2 em um amistoso em Tóquio, em outubro.

As equipes se enfrentaram apenas uma vez anteriormente na Copa do Mundo, quando Zico — talvez o homem que mais contribuiu para moldar o futebol japonês — estava no banco de reservas na fase final de 2006, quando o Japão perdeu por 4 a 1 em Dortmund e foi eliminado do torneio.

Aquela seleção contava com Alessandro Santos, um dos três jogadores nascidos no Brasil que representaram o Japão nas oito participações do país na Copa do Mundo.

O zagueiro Marcus Tulio Tanaka foi o mais recente a fazer isso, atuando na África do Sul em 2010, quando ​o Japão chegou às oitavas de final.

“A partida entre Japão e Brasil tem um significado profundo”, disse Tulio à Reuters. “Ao longo dos anos, ‌o Brasil influenciou profundamente o futebol japonês, desde os ⁠primórdios da J-League e a chegada dos jogadores brasileiros'.

“Quando vim pela primeira vez ao Japão como estudante de intercâmbio, costumava me perguntar quando chegaria o dia em que Japão e Brasil se enfrentariam em pé de igualdade na Copa do Mundo, ⁠e esse dia chegou mais cedo do que o esperado'.

“Neste torneio, a diferença entre ⁠as duas seleções, incluindo fatores como a preparação física dos ⁠jogadores, diminuiu mais do ⁠que ​nunca'.

“Isso representa uma oportunidade única na vida para a seleção japonesa derrotar o Brasil no palco da Copa do Mundo.”

(Reportagem de Michael Church)

Reuters

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