Santander Brasil registra o menor lucro trimestral desde 2023; ações despencam
Santander Brasil registra o menor lucro trimestral desde 2023; ações despencam
Reuters
29/07/2026
Atualizada em 29/07/2026
Por Michael Susin e Gabriel Araujo
29 Jul (Reuters) - O Santander Brasil divulgou nesta quarta-feira seu pior lucro líquido e rentabilidade em um trimestre desde o final de 2023, ficando abaixo das expectativas do mercado, com os spreads de crédito mais apertados, os custos crescentes e as provisões mais elevadas para créditos inadimplentes pesando sobre os resultados.
As ações da unidade brasileira do banco espanhol Santander, que tem a maior economia da América Latina como mercado-chave, caíam até 7% na bolsa de São Paulo após a divulgação dos resultados, caminhando para seu pior desempenho desde abril de 2020.
O banco registrou lucro líquido de R$3,01 bilhões entre abril e junho, uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e abaixo dos R$3,9 bilhões esperados pelos analistas consultados pela LSEG.
O resultado foi o menor lucro trimestral do banco desde o quarto trimestre de 2023. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), um importante indicador de rentabilidade, também atingiu seu nível mais baixo desde aquele trimestre, caindo de 16,4% no ano anterior para 12,5%.
'O Santander Brasil apresentou um resultado que consideramos fraco, reforçando uma percepção que já vinha se consolidando nos últimos trimestres: a ausência de gatilhos claros para uma retomada mais consistente da rentabilidade', afirmaram analistas do BB Investimentos. O Santander Brasil costuma ser o primeiro grande banco do setor privado do país a divulgar seus resultados trimestrais, abrindo caminho para concorrentes como o Itaú Unibanco e o Bradesco, que devem divulgar seus resultados na próxima semana. Analistas do Itaú BBA afirmaram que a repercussão do desempenho para os concorrentes é limitada. 'O Santander vem apresentando uma trajetória de receita mais fraca há anos, com problemas específicos relacionados a créditos inadimplentes, e esperamos um desempenho mais sólido do Bradesco na próxima semana', escreveram.
No início da década, a unidade brasileira do Santander passou a adotar uma postura mais seletiva na concessão de crédito, à medida que as condições de crédito se deterioravam, e registrou alguns resultados insatisfatórios durante a implementação dessa estratégia.
DIRETOR FINANCEIRO QUER UM 'BANCO MAIS PREVISÍVEL'
A receita líquida de juros do Santander Brasil, um indicador que reflete os lucros com empréstimos menos os custos de captação, recuou 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$15,34 bilhões, com spreads mais estreitos refletindo menor exposição ao segmento de renda média.
As provisões de créditos aumentaram 6,5% em relação ao ano anterior, para R$8,26 bilhões.
'A evolução reflete alguns efeitos pontuais de reforços de provisão de casos do atacado e revisão dos critérios de baixa a prejuízo, além de um ambiente de crédito ainda desafiador, com impactos concentrados em carteiras específicas,' afirmou o banco.
O diretor financeiro do Santander Brasil, Carlos Gonzalez-Blanch, disse que a atualização dos modelos de provisão, incorporando uma deterioração nas perspectivas macroeconômicas em meio às altas taxas de juros no Brasil, também poderia ter impacto no quarto trimestre.
Ele afirmou que o Santander buscaria melhorar seu retorno sobre o patrimônio líquido por meio de uma maior geração de receitas não relacionadas a crédito, reduções de custos e uma normalização das provisões para devedores duvidosos (PDD).
'Quero um banco mais 'chato', mais previsível, que não traga surpresas positivas, mas que também não traga surpresas negativas', disse ele em uma teleconferência com analistas.
Os resultados são divulgados em meio a uma transição de liderança na instituição financeira. Gonzalez-Blanch foi nomeado no final de 2025, enquanto o ex-diretor executivo Mario Leão foi recentemente substituído por Gilson Finkelsztain, ex-CEO da operadora de bolsa de valores B3.
(Por Michael Susin, em Barcelona, e Gabriel Araujo, em São PauloEdição de João Manuel Maurício e Pedro Fonseca)
Reuters

