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Lula vê decisão da China sobre febre aftosa como contraponto a anúncio de tarifas dos EUA

Lula vê decisão da China sobre febre aftosa como contraponto a anúncio de tarifas dos EUA

Reuters

02/06/2026

Placeholder - loading - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 25 de maio de 2026 REUTERS/Diego Herculano
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 25 de maio de 2026 REUTERS/Diego Herculano

2 Jun (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da ​Silva disse nesta terça-feira que a decisão da China de decretar o Brasil como país livre da febre aftosa foi um contraponto à medida dos Estados Unidos de propor tarifas comerciais de 25% sobre várias exportações brasileiras.

'Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça para um homem cristão como eu, um homem obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para entrar no mercado chinês', disse durante discurso ⁠em ⁠Catalão, em Goiás, para inaugurar um instituto ​federal de ‌educação.

'Eu não vou ficar chorando. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro', acrescentou.

Lula também acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência, de ser traidor e vendilhão da ⁠pátria, chamando-o de 'imbecil'.

'Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e ​são. Na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se ​intrometesse nas decisões brasileiras', afirmou Lula.

Lula chamou Flávio e ‌o ex-deputado federal Eduardo ​Bolsonaro, que ⁠vive nos EUA e faz campanha junto a autoridades norte-americanas pela imposição de sanções a autoridades brasileiras, de 'traidores' e afirmou que, no passado, 'por muito menos' traidores eram enforcados. 'O que merecem os traidores ​da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem', afirmou.

O presidente ainda chamou Flávio de 'covarde' após o senador afirmar nesta terça que, em sua reunião recente com o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu 'expressamente' que empresas brasileiras não fossem ​alvo de tarifas comerciais.

'Ele foi dizer hoje que não falou nada. Ele falou! Ele foi pedir arrego, dizer: 'Trump, dá uma porrada no Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, Trump, prejudica o Lula'. Imbecil! Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, ele vai prejudicar os empresários brasileiros, ele vai prejudicar o agronegócio', disse.

Lula afirmou ainda que disse a Trump que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, 'não gosta ​do Brasil', além de classificá-lo como 'anti-América Latina' e 'inimigo mortal' de vários países latino-americanos.

'O tal do Marco ‌Rubio, que é o chefe do Departamento ⁠de Estado, que é o anti-América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos e que eu já disse ao ⁠Trump que ele não gosta do Brasil, não estava na ⁠reunião que eu fiz com o Trump. ⁠Eu fiz três horas ⁠de ​reunião com o Trump', disse.

(Por Eduardo Simões, em São PauloEdição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)

Reuters

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