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Mercado para empresas de data centers que buscam IPOs fica mais desafiador

Mercado para empresas de data centers que buscam IPOs fica mais desafiador

Reuters

25/09/2026

Placeholder - loading - Construção do data center ATL11 da Microsoft nos EUA. REUTERS/Brian Snyder
Construção do data center ATL11 da Microsoft nos EUA. REUTERS/Brian Snyder

Por Echo Wang e Yantoultra Ngui

25 Set (Reuters) - A operadora de centrais de processamento ​de dados DayOne segue em frente com seus planos de abrir capital já em novembro, segundo três fontes a par do assunto, mesmo com o aumento dos juros e os contratempos em outras áreas do ecossistema ameaçando reduzir a janela de oportunidade para as empresas acessarem o mercado de IPOs.

A empresa sediada em Cingapura desenvolve e opera centrais de processamento de dados para clientes de computação em nuvem e inteligência artificial. A companhia planeja tornar público seu pedido de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) em meados de outubro e abrir o capital em novembro, disseram as fontes. A DayOne se recusou a comentar.

As intenções de IPO da DayOne surgem após dois contratempos para operadoras de data centers nesta semana: o adiamento do IPO da SB Energy e notícias de uma disputa envolvendo Oracle e Blue Owl, que pode atrasar um grande projeto de centrais de processamento de dados no estado norte-americano do Novo México.

O contraste destaca como o mercado de infraestrutura de IA está ⁠amadurecendo. Empresas com clientes diversificados ⁠e maior visibilidade da demanda ainda podem atrair interesse, enquanto ​projetos que dependem ‌fortemente de um único cliente de IA ou exigem grandes quantias de capital inicial enfrentam um cobranças maiores dos investidores.

“A linha divisória está em saber se a demanda já foi contratada e está em operação, ou se é apenas planejada”, disse Ke Yan, chefe de pesquisa da Shenton Research, empresa de pesquisa de investimentos com sede em Cingapura.

Com a energia sendo agora a principal restrição ao setor, os investidores preferem operadoras com fornecimento de eletricidade garantido, uma ⁠grande parcela da capacidade contratada já em operação ou em fase de conclusão e contratos “take-or-pay” de longo prazo, disse ele.

As ​exigências dos investidores estão se intensificando à medida que um número crescente de empresas se encaminha para os mercados de capitais, com desenvolvedores e operadores ​de data centers, incluindo Switch, Vantage Data Centers e CyrusOne, explorando IPOs.

OFERTA MAIS DIVERSIFICADA

A diversificação geográfica da ‌DayOne e o fato de possuir data ​centers ⁠em operação, e não apenas em desenvolvimento, ajudaram a diferenciá-la de alguns concorrentes aos olhos dos investidores, disse uma das fontes.

A empresa, apoiada por investidores como Coatue e Hillhouse, levantou US$4,5 bilhões em uma rodada de financiamento série C encerrada em junho. Ela poderia buscar levantar até US$5 bilhões na oferta pública inicial de ações (IPO), com uma avaliação de ​cerca de US$20 bilhões, segundo reportagem da Reuters.

A companhia garantiu cerca de 2,1 gigawatts de reservas de capacidade e opera na Ásia-Pacífico e Europa, incluindo Malásia, Hong Kong, Japão, Finlândia e Espanha.

Enquanto isso, a SB Energy, apoiada pela SoftBank, adiou os planos de divulgar formalmente seu IPO nesta semana, enquanto trabalha para esclarecer questões adicionais da SEC. Também há preocupações dos investidores quanto à avaliação que a empresa busca e à sua dependência da OpenAI como principal cliente, segundo uma das três fontes familiarizadas com ​o assunto e outra fonte. A SB Energy busca ser avaliada em cerca de US$60 bilhões, acrescentou uma delas. A SB Energy se recusou a comentar.

Houve várias negociações entre SoftBank, SB Energy, OpenAI e Nvidia, fornecedora de chips da OpenAI, nos últimos meses.

A Nvidia concordou em fornecer uma garantia de até US$105 bilhões para ajudar a OpenAI a alugar o data center no estado norte-americano de Ohio que está sendo desenvolvido pela SB Energy, além de investir US$1,5 bilhão na SB Energy.

A SoftBank, que apoia a OpenAI, está recebendo pedidos de investidores para uma operação de dívida no valor de US$10 bilhões, denominada em dólares, para ajudar a financiar seus investimentos na OpenAI. A empresa já havia obtido um empréstimo garantido pela participação na OpenAI.

INVESTIDORES MAIS EXIGENTES

O custo do financiamento da expansão da IA está sob maior pressão. Taxas ​de juros mais altas tornam mais caro financiar instalações cujos retornos podem levar anos para se concretizar, enquanto os investidores exigem maior visibilidade sobre os clientes e os fluxos de ‌caixa que sustentarão esses investimentos.

Para desenvolvedores que dependem de dívida, a ⁠receita contratada de clientes com boa capacidade de crédito é crucial para o pagamento dessa dívida, já que eles financiam instalações caras preparadas para IA, incluindo racks de alta densidade e sistemas de resfriamento líquido, disse Neil Bear-Hetherington, diretor de mercados de capitais de data centers para a Ásia-Pacífico da CBRE.

Para os desenvolvedores de data ⁠centers, isso torna a identidade e a solidez financeira de seus clientes cada vez mais importantes para os ⁠investidores que avaliam projetos que podem exigir bilhões de dólares em investimento inicial. ⁠Para empresas que se preparam para ⁠abrir ​capital, um mercado de IPO menos tolerante e um maior escrutínio sobre a infraestrutura de IA criam um incentivo para agir rapidamente enquanto a demanda dos investidores ainda existe.

Reuters

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