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México abre a Copa do Mundo em meio a paixão, festas e protestos

México abre a Copa do Mundo em meio a paixão, festas e protestos

Reuters

11/06/2026

Placeholder - loading - Torcedor exibe  réplica gigante do troféu da Copa do Mundo do lado de fora do Estádio Azteca, Cidade do México, México 11 de junho de 2026  REUTERS/Kai Pfaffenbach
Torcedor exibe réplica gigante do troféu da Copa do Mundo do lado de fora do Estádio Azteca, Cidade do México, México 11 de junho de 2026 REUTERS/Kai Pfaffenbach

Por Stephen Eisenhammer e Emily Green e Cassandra Garrison e Sarah ​Morland

CIDADE DO MÉXICO, 11 Jun (Reuters) - Com trajes de mariachi, trompetes e uma multidão vestida de verde-escuro, a Cidade do México se preparava para dar início à Copa do Mundo nesta quinta-feira, enquanto torcedores lotavam o famoso Estádio Azteca antes da partida de abertura entre México e África do Sul, em meio a protestos pela capital.

Longas filas se estendiam ao redor do Azteca, enquanto torcedores enfrentavam uma longa espera para entrar no primeiro estádio a sediar partidas em três Copas do Mundo. Lá dentro, milhares cantavam antes do pontapé inicial.

Alejandro Garcia, de 50 anos, que vestia um sombrero e carregava uma réplica do troféu, disse que estava orgulhoso de o México estar sediando mais uma Copa do Mundo. Ele era uma criança quando o país sediou o torneio pela última vez, em 1986.

“Este é o nosso templo”, ⁠disse ele. “Vai ser uma ⁠ótima Copa do Mundo, todos os protestos agora serão ​esquecidos.”

Mas fora do ‌estádio, a cidade de 9 milhões de habitantes permanecia profundamente dividida.

A preparação para o torneio no México, que o país está co-sediando com os EUA e o Canadá, foi marcada por agitação social na capital, à medida que diversos grupos -- de professores a famílias de pessoas desaparecidas na guerra contra as drogas -- marcharam na tentativa de aproveitar os holofotes internacionais para ⁠promover suas causas.

Pelo menos seis protestos estavam previstos para esta quinta-feira, com a cidade em um clima ​de contradição entre celebração e oposição. Murais recém-pintados, novos trens e um estádio reformado com o objetivo de receber turistas para ​os jogos contrastavam com as barricadas de aço montadas por empresas para ‌se protegerem de manifestantes ao longo ​da avenida ⁠principal da capital.

ACAMPAMENTOS E MARCHAS

A quase 5 km do Azteca, milhares de professores insatisfeitos de todo o país começaram a marchar em direção ao estádio antes da partida.

Avelina Cruz Miguel, que leciona no ensino fundamental há 22 anos, viajou de Oaxaca para protestar por melhores salários. Para ​ela, os protestos oferecem uma oportunidade para os professores darem voz às suas reivindicações em “nível internacional”. “Não há apoio à educação” no México, disse.

Os professores também acamparam na praça central do Zócalo durante os dias que antecederam o início do torneio.

O acampamento levou autoridades a bloquearem a entrada do Zócalo na véspera da abertura da competição e gerou receios de que a área fosse fechada aos torcedores que ​planejavam se reunir na praça para assistir ao jogo em um telão.

Barracas se alinhavam nas ruas por vários quarteirões ao redor da praça nesta quinta-feira, mas as autoridades confirmaram que a zona de torcedores estaria aberta.

Mario Martínez, 30 anos, de Tijuana, foi um dos primeiros torcedores a entrar com sua namorada. Eles preferiram a zona de torcedores porque os ingressos para o estádio estão muito caros, além da preocupação de que o evento fosse cancelado. “Graças a Deus tudo deu certo.”

Muitos moradores reclamaram que o dinheiro estava sendo gasto para embelezar a cidade para os visitantes, sem resolver os problemas de infraestrutura subjacentes. A quinta-feira foi declarada feriado oficial na Cidade do México, em parte para aliviar ​as preocupações com o transporte.

Outros chilangos, como são conhecidos os moradores da Cidade do México, reclamaram dos preços exorbitantes dos ingressos, que os impediram ‌de assistir ao espetáculo ao vivo em sua cidade ⁠natal. Para a partida de abertura entre México e África do Sul, alguns torcedores entrevistados pela Reuters disseram ter pago US$3.000 ou mais, valor totalmente fora do alcance da maioria dos mexicanos. A Fifa defendeu sua política de preços, afirmando que o custo ⁠dos ingressos está em linha com outros grandes eventos esportivos.

“A Fifa só está interessada no ⁠lucro”, disse Jonathan Córdoba, de 33 anos, enquanto esperava em ⁠uma longa fila para entrar ⁠no ​estádio. Ainda assim, ele diz não se arrepender: “É a paixão!”

(Reportagem de Stephen Eisenhammer, Emily Green, Cassandra Garrison e Sarah Morland na Cidade do México)

Reuters

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