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    Mourão diz que Bolsonaro decidiu demissão de Cintra por discussão pública sobre nova CPMF

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    Vice-presidente Hamilton Mourão, durante cerimônia do lado de fora do Palácio do Planalto. 3/7/2019. REUTERS/Adriano Machado

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    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente em exercício, Hamilton Mourão, disse nesta quarta-feira que foi do presidente Jair Bolsonaro a decisão de demitir o secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, por não ter gostado da discussão sobre a eventual criação de um imposto sobre movimentação financeira, espécie de nova CPMF, sem que tenha havido uma decisão do governo.

    'É a questão do imposto de transação financeira que o presidente Bolsonaro não tem uma decisão a este respeito e ele acha que a discussão se tornou pública demais antes de passar por ele', disse Mourão, em entrevista na vice-presidência.

    'Esse troço transbordou, já estava sendo discutido em rede social, essas coisas todas, e o presidente não gostou', completou.

    Questionado se a queixa do presidente era sobre o fato de a discussão do novo imposto ocorrer sem decisão tomada ou do mérito em si, Mourão afirmou que 'talvez o mérito também'. 'O presidente não é fã desse imposto', respondeu, em linha com o que, mais cedo, o próprio Bolsonaro disse em rede social ser contra uma nova CPMF.

    Ao ser perguntado se Bolsonaro ainda tem de ser convencido sobre a necessidade do imposto, o presidente em exercício disse que o assunto tem de ser discutido, mas fez uma ponderação. Ele disse que, mesmo na hipótese de o governo se colocar a favor desse imposto, a definição dele ficará a cargo do Legislativo.

    'Quem é que vai definir isso? É o Congresso, então acho que todo desgaste prematuro em torno disso aí não leva a nada porque tudo vai ser decidido pelo Congresso', destacou.

    Mourão disse ter almoçado nesta quarta com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem Cintra era subordinado. Disse ter conversado no encontro sobre a situação de Cintra, embora ainda não houvesse uma decisão sobre a saída do secretário.

    'Ele (Guedes) compartilhou essa angústia com essa situação, mas disse: 'vamos aguardar a decisão do presidente.' Aí veio da decisão do presidente', afirmou.

    O presidente em exercício relatou nunca ter conversado com Bolsonaro sobre uma eventual satisfação dele com Cintra.

    'Eu considero o professor Marcos Cintra uma pessoa extremamente comprometida, competente. Ele tem as ideias dele e, óbvio, cada um nós que tem suas ideias que tem que defender até a decisão do decisor. Pode parecer até um pleonasmo isso aqui, mas é dessa forma que vejo as coisas', disse.

    (Por Ricardo Brito)

    Escrito por Reuters

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