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Mundo corre risco de ressurgimento do HIV com queda de 18% no financiamento, alerta ONU

Mundo corre risco de ressurgimento do HIV com queda de 18% no financiamento, alerta ONU

Reuters

27/07/2026

Placeholder - loading - Fachada do prédio do escritório da agência da ONU para a Aids (UNAIDS) em Genebra 6 de abril de 2021 REUTERS/Denis Balibouse
Fachada do prédio do escritório da agência da ONU para a Aids (UNAIDS) em Genebra 6 de abril de 2021 REUTERS/Denis Balibouse

Por Emma Farge

GENEBRA, 27 Jul (Reuters) - O mundo corre ​o risco de um ressurgimento da epidemia de HIV depois que o financiamento global para enfrentar o vírus caiu quase um quinto no ano passado, afirmou nesta segunda-feira o escritório da ONU que combate a Aids.

Os Estados Unidos eram responsáveis por 75% do financiamento internacional para o combate ao HIV antes do retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Naquele mês, ele ordenou a suspensão temporária de todo o financiamento relacionado ao HIV, antes de restabelecer, dias depois, os trabalhos essenciais de combate à doença, embora a maioria dos ⁠esforços de ⁠prevenção tenha sido reduzida.

“A comunidade internacional ​entrou em ‌um período de profunda turbulência política e financeira que ameaça décadas de conquistas duramente alcançadas na luta contra o HIV”, afirmou o Unaids em seu relatório de 60 páginas divulgado no início de uma conferência internacional sobre a Aids no Brasil.

“Sem ⁠um compromisso renovado e ações concretas, o mundo corre o risco de um ​ressurgimento da epidemia de HIV”, acrescentou.

O financiamento caiu 18%, para US$7,3 bilhões, em 2025, ​o que representou o nível mais baixo em quase ‌duas décadas, segundo o ​relatório. ⁠Essa diminuição representa um risco de reversão do progresso que reduziu as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à Aids ao seu nível mais baixo em mais de 30 anos, ​afirmou o relatório.

“A atual fragilidade da resposta ao HIV coloca esses ganhos em risco, a menos que a solidariedade global seja restaurada e as desigualdades sejam combatidas”, acrescentou.

O relatório também reiterou que a meta global de acabar com a Aids até 2030 está fora do ​caminho, afirmando que a redução do financiamento, bem como outras crises de saúde, como o Ebola, estão prejudicando os esforços. Cerca de 1,2 milhão de pessoas contraíram o HIV no ano passado.

O impacto dos cortes no financiamento estrangeiro para o HIV foi, no entanto, parcialmente compensado por aumentos nos gastos nacionais. Isso significou uma redução geral de 6% nos recursos totais destinados ao HIV no ano passado, segundo o relatório do Unaids.

Mas nem todos os governos conseguiram ​intervir. Algumas das maiores quedas nos gastos com programas de prevenção ocorreram na África Subsaariana, que ‌responde por cerca de metade das novas ⁠infecções globais.

Dados nacionais de Camarões, Nigéria e Zâmbia mostraram uma queda de mais de 50% no número de pessoas que recebem profilaxia pré-exposição, ou PrEP.

“As interrupções no financiamento para ⁠o HIV afetaram gravemente a prevenção, a realização de testes ⁠e componentes-chave dos programas de tratamento, como ⁠a gama de serviços ⁠liderados ​pela comunidade que alcançam as pessoas mais afetadas pelo HIV”, afirmou o relatório.

(Reportagem de Emma Farge)

Reuters

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