Na ONU, Netanyahu defende Israel enquanto delegados abandonam salão em protesto
Na ONU, Netanyahu defende Israel enquanto delegados abandonam salão em protesto
Reuters
24/09/2026
Por Antoni Slodkowski e John Irish
NAÇÕES UNIDAS, 24 Set (Reuters) - O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez nesta quinta-feira na ONU uma defesa veemente das ações de Israel na região, buscando combater o crescente isolamento internacional às vésperas de eleições que ele poderia perder, enquanto dezenas de delegados abandonavam o salão.
Quando Netanyahu subiu à tribuna, autoridades abandonaram a sessão da Assembleia Geral em protesto, ao que ele respondeu, chamando-os de “covardes morais”. Seus apoiadores na galeria entoavam em hebraico: “O povo de Israel vive”.
Netanyahu aproveitou seu discurso na ONU para rebater o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, por chamá-lo de criminoso de guerra; os líderes da Europa Ocidental, por, segundo ele, sucumbirem a “multidões antissemitas”; e para acusar tanto o Catar quanto a Turquia de espalhar mentiras sobre Israel.
“Vocês tentaram me impedir de vir aqui. Vocês tentaram. Tentaram me silenciar. Bem, vocês não podem me silenciar. Não podem silenciar a verdade”, disse Netanyahu sobre Mamdani.
Mamdani fez campanha eleitoral com a promessa de mandar prender Netanyahu por supostos crimes de guerra caso ele visitasse a maior cidade dos Estados Unidos, mas posteriormente afirmou ter concluído que não possuía autoridade legal para fazê-lo. Nesta semana, Mamdani descreveu Netanyahu como “o arquiteto de um genocídio horrível contra os palestinos”.
Em sua primeira visita a Nova York desde que Mamdani assumiu o cargo em janeiro, Netanyahu disse: “Eis uma verdade simples: Israel não cometeu genocídio. Israel impediu o genocídio.”
Ele acusou falsamente Mamdani de apoiar militantes do Hamas.
“A todos aqueles que espalham essas mentiras sobre meu país e sobre nossos bravos soldados, estejam eles neste salão ou no gabinete do prefeito antissemita de Nova York, eu digo o seguinte: Que vergonha para vocês!”, disse Netanyahu.
Em comunicado, Mamdani afirmou: “Como já fez inúmeras vezes, o primeiro-ministro Netanyahu usou seu discurso para repetir mentiras infundadas com o objetivo de encobrir seu genocídio contra os palestinos. No entanto, nenhuma mentira pode mudar o fato de que ele continua sendo alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.”
FUTURO POLÍTICO DE NETANYAHU EM JOGO
A menos de cinco semanas das eleições gerais, Netanyahu falou por cerca de 40 minutos no que se configurou como um discurso de campanha, transmitido ao vivo no horário nobre da noite pelos quatro principais canais de televisão israelenses.
Antes de seu discurso, o governo de Netanyahu pagou para colocar 500 outdoors pró-Israel e anti-Irã, além de dezenas de caminhões exibindo mensagens de apoio a Israel por toda Manhattan, informou o gabinete de Netanyahu em um comunicado.
Netanyahu, que vem perdendo força nas pesquisas de opinião, destacou o que chamou de luta de Israel em sete frentes.
Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo de Israel, já havia transformado suas aparições na ONU em espetáculos visuais no passado, usando gráficos, diagramas e adereços para alertar sobre o programa nuclear do Irã, que Teerã afirma ser para fins civis.
Nesta quinta-feira, ele ergueu um pager em referência a um ataque que paralisou membros do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano, e mostrou um receptor de internet via satélite Starlink, que, segundo ele, deixaria para a delegação iraniana.
“Assim, quando inevitavelmente romperem, eles também poderão contar livremente sua história nas redes sociais”, disse ele, acrescentando que era apenas uma questão de tempo até que as autoridades iranianas fossem derrubadas pelo povo.
PROTESTOS NAS RUAS DE NOVA YORK
Várias centenas de manifestantes se reuniram perto da sede da ONU, com dezenas bloqueando o trânsito e entoando: “Parem de armar Israel, deixem Gaza viver” e “Parem de armar Israel, deixem o Irã viver”. A polícia os deteve.
A campanha eleitoral em Israel está ocorrendo em meio a críticas crescentes à guerra do país contra Gaza. Netanyahu está fazendo uma breve visita aos EUA para seu discurso na ONU e, o que é incomum, sem uma reunião agendada com o presidente dos EUA, Donald Trump, a quem elogiou durante seu discurso.
“Continuaremos a defender nosso Estado. Continuaremos a vencer porque não temos outra escolha. Nesta batalha contra os bárbaros, não tivemos parceiro maior do que o presidente Trump. Agradeço a ele. Agradeço a ele por sua liderança ousada”, disse ele.
ISOLAMENTO CADA VEZ MAIOR
Israel vem enfrentando um isolamento diplomático cada vez mais profundo desde que iniciou sua guerra em Gaza, em resposta aos ataques liderados pelo Hamas contra Israel há quase três anos.
Netanyahu não pode viajar para muitos países devido a um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, emitido contra ele, seu então ministro da Defesa e o então comandante militar do Hamas em 2024.
No início deste mês, aliados outrora inabaláveis – Reino Unido, França e Canadá – anunciaram sanções contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, o que suscitou uma reação moderada de Washington.
“Os líderes desses países optaram por ceder às multidões antissemitas. Optaram pela fraqueza. Optaram pela política de apaziguamento”, afirmou Netanyahu.
Ele minimizou o agravamento da violência na Cisjordânia ocupada por parte de colonos israelenses, descrevendo-a como “um punhado de jovens delinquentes, cerca de 150, que atiram pedras e derrubam oliveiras”.
“Ocasionalmente... eles ateiam alguns incêndios. Não suporto isso. Não tolerarei o vigilantismo. Somos um país de leis.”
(Reportagem de Antoni Slodkowski e John Irish nas Nações Unidas e de Maria Tsvetkova em Nova York; Reportagem adicional de Rami Ayyub, Alexander Cornwell e Emily Rose em Tel Aviv; Edição de Howard Goller)
Reuters

