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NOVO ESTUDO ENCONTRA PISTA NO EXAME DE SANGUE

Pesquisa com mais de 11 mil adultos identificou diagnósticos precoces de câncer doença, mas resultado ainda não serve para detectar a doença

Bruna Valle

11/09/2026

Placeholder - loading - Estudo encontrou relação entre níveis baixos de duas enzimas do fígado e maior ocorrência de câncer colorretal em adultos mais jovens
Estudo encontrou relação entre níveis baixos de duas enzimas do fígado e maior ocorrência de câncer colorretal em adultos mais jovens

Um exame de sangue feito durante uma consulta de rotina pode trazer informações que, a princípio, parecem não ter relação com o intestino. Uma nova análise encontrou uma associação entre níveis baixos de duas enzimas do fígado, AST e ALT, e uma maior probabilidade de diagnóstico de câncer colorretal em adultos com menos de 45 anos.

O levantamento foi realizado pela Epic Research, braço de pesquisa da empresa de tecnologia em saúde Epic, a partir de dados de mais de 11 mil pessoas entre 18 e 44 anos nos Estados Unidos.

O resultado chama atenção, mas não significa que AST ou ALT baixos provoquem câncer, nem que um resultado alterado seja capaz de diagnosticar a doença.

O que os pesquisadores encontraram?

Os cientistas analisaram exames realizados nos três anos anteriores ao rastreamento do câncer colorretal e compararam os resultados de pessoas que receberam o diagnóstico da doença no período seguinte com os de participantes que não tiveram câncer.

Entre aqueles com AST abaixo de 14 unidades por litro, a probabilidade de diagnóstico de câncer colorretal de início precoce foi 65% maior do que entre pessoas com resultados entre 14 e 29.

Para a ALT, níveis abaixo de 14 também apareceram associados a uma probabilidade maior de diagnóstico: 68% acima do grupo utilizado como referência.

Em contrapartida, valores de AST iguais ou superiores a 30 apareceram associados a uma probabilidade 22% menor, enquanto ALT a partir de 30 teve associação com uma redução de 29%.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses números representam associações estatísticas, e não uma relação de causa e efeito.

Enzimas não devem ser alteradas de propósito

AST e ALT são substâncias presentes em diferentes tecidos do organismo e fazem parte de exames utilizados para avaliar a saúde do fígado. Em determinadas situações, níveis elevados podem indicar lesão ou inflamação hepática.

Por isso, a associação observada com valores mais baixos foi considerada inesperada pelos pesquisadores.

Segundo a equipe responsável pelo estudo, resultados reduzidos podem estar relacionados a características como massa muscular, estado nutricional ou fragilidade. Ainda não está claro se algum desses fatores ajuda a explicar a relação observada com o câncer colorretal.

Por isso, não há recomendação para tentar aumentar artificialmente essas enzimas. O estudo também não indica que modificar os níveis de AST ou ALT possa diminuir o risco de câncer.

A pesquisa não muda o rastreamento

Outro ponto importante é que a análise não deve levar pessoas jovens e saudáveis a procurar uma colonoscopia apenas porque apresentaram AST ou ALT baixos.

O trabalho ainda não passou pelo processo de revisão e foi elaborado para encontrar possíveis sinais que mereçam investigação, e não para criar uma nova forma de diagnóstico.

Além disso, os próprios pesquisadores não conseguiram determinar por que parte dos participantes, todos com menos de 45 anos, já havia realizado exames para investigar câncer colorretal. Histórico familiar, sintomas ou outros fatores de risco podem ter influenciado essa decisão.

Câncer colorretal tem aparecido cada vez mais cedo

O interesse nesse tipo de pesquisa acompanha uma mudança observada na medicina: o câncer colorretal vem aumentando entre adultos mais jovens em diferentes países.

Entre os possíveis fatores estudados estão predisposição genética e histórico familiar, obesidade, alimentação, sedentarismo, alterações metabólicas e mudanças no microbioma intestinal. Nenhum deles, isoladamente, explica completamente o crescimento dos casos.

Para especialistas, identificar sinais que ajudem a reconhecer pessoas que podem se beneficiar de uma investigação antecipada é uma possibilidade importante. Mas isso ainda exige estudos maiores e capazes de confirmar os resultados.

Exame de sangue já pode fazer parte do rastreamento

Nos Estados Unidos, pessoas com risco médio são orientadas a iniciar o rastreamento regular do câncer colorretal aos 45 anos. Para quem apresenta fatores de risco, como histórico familiar ou determinados sintomas, a investigação pode começar antes.

Uma novidade recente é que testes de sangue passaram a integrar as opções de rastreamento para adultos a partir dos 45 anos com risco médio, quando não realizam ou recusam métodos como colonoscopia e exames de fezes.

Um desses exames é o Shield, que procura sinais relacionados ao câncer colorretal no sangue. Mas ele não é o mesmo tipo de exame de sangue de rotina analisado na nova pesquisa.

E há uma diferença fundamental: um resultado positivo no teste de rastreamento não confirma a presença de câncer. Nesse caso, é necessário realizar uma colonoscopia para investigar a origem do resultado.

A colonoscopia continua sendo considerada a principal referência para a avaliação do intestino grosso e também permite identificar e retirar pólipos que podem se transformar em câncer.

A nova pesquisa, portanto, abre uma possibilidade para futuros estudos, mas não muda, por enquanto, a forma como o câncer colorretal deve ser rastreado ou diagnosticado.

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