Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

O QUE ACONTECE COM A SAÚDE QUANDO O SONO MELHORA?

Pesquisa encontrou associações entre duração, regularidade e fases do sono e o risco de diferentes doenças

Bruna Valle

24/09/2026

Placeholder - loading - Estudo acompanhou quase 96 mil adultos por cerca de nove anos e encontrou relações entre diferentes padrões de sono e a ocorrência de doenças
Estudo acompanhou quase 96 mil adultos por cerca de nove anos e encontrou relações entre diferentes padrões de sono e a ocorrência de doenças

Dormir não significa apenas passar algumas horas na cama. A duração do descanso, a regularidade dos horários e até o tempo dedicado a determinadas fases do sono podem estar relacionados à saúde ao longo dos anos. É o que indica uma grande análise realizada com 95.559 adultos, cujos dados foram acompanhados por cerca de nove anos.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim e da Universidade Médica da Capital, na China, utilizou informações do UK Biobank e encontrou 156 associações significativas entre características do sono e diferentes doenças identificadas durante o período de acompanhamento.

Os resultados foram publicados na revista científica PLOS Medicine. Apesar da quantidade de associações encontradas, os pesquisadores ressaltam que o trabalho não comprova que dormir mais ou melhorar determinada fase do sono previna doenças.

Entre seis e oito horas aparece uma faixa importante

Quando os cientistas analisaram apenas a duração do sono, perceberam que a relação com a saúde não seguia uma linha simples. Dormir mais não significava necessariamente ter riscos menores em todos os casos.

Entre as 86 condições que apresentaram alguma associação significativa com o tempo de sono, 69 tiveram a faixa de seis a oito horas por noite relacionada aos menores riscos.

Já entre os participantes que dormiam menos de cinco horas, foram identificadas associações com maior ocorrência de 37 doenças.

Os dados, portanto, apontam para a importância de uma quantidade adequada de sono, mas não estabelecem uma regra universal de que todas as pessoas precisam dormir exatamente o mesmo número de horas.

O papel do sono REM

A pesquisa também analisou a composição do descanso. Um dos destaques foi o sono REM, fase caracterizada por maior atividade cerebral e na qual os sonhos costumam ser mais intensos.

Os participantes que apresentavam mais tempo nessa etapa tiveram associações com menor risco de 83 condições de saúde. Entre elas estavam insuficiência cardíaca, demência e doença de Parkinson.

O estudo também encontrou relações entre maior duração do sono profundo e menor ocorrência de sete condições, incluindo diabetes tipo 2 e transtorno depressivo maior.

Isso não significa que aumentar deliberadamente o tempo de sono REM ou profundo impeça essas doenças. Os resultados mostram apenas uma relação observada entre os padrões registrados e os desfechos de saúde.

Não é só uma questão de quantidade

Outro aspecto analisado foi a regularidade do sono. Pessoas que apresentavam maior variação nos horários de dormir e acordar tiveram mais associações com problemas de saúde.

Os pesquisadores também observaram o chamado tempo acordado após o início do sono, ou seja, períodos em que a pessoa desperta durante a noite. Esse padrão apareceu relacionado a condições como ansiedade e transtornos relacionados ao uso de substâncias.

A análise reforça uma ideia que vai além da quantidade de horas dormidas: um sono fragmentado ou irregular também pode ser relevante para a saúde.

Como os pesquisadores acompanharam o sono

Para obter informações mais objetivas, os pesquisadores não dependeram apenas dos relatos dos participantes. Durante sete dias e sete noites, os voluntários utilizaram acelerômetros no pulso, dispositivos capazes de registrar movimentos e ajudar a estimar períodos de sono e vigília.

Um algoritmo de aprendizado profundo foi utilizado para estimar o tempo passado em diferentes fases do sono, além da duração total do descanso, dos períodos acordados durante a noite e da regularidade dos horários.

Depois, essas informações foram comparadas aos registros de saúde dos participantes, permitindo investigar mais de mil possíveis desfechos ao longo de aproximadamente nove anos.

Como foram realizadas muitas comparações, os pesquisadores aplicaram a chamada correção de Bonferroni, um procedimento estatístico que reduz a possibilidade de considerar significativa uma associação que tenha aparecido apenas por acaso.

O estudo mostra uma relação, não uma causa

Apesar do tamanho da amostra e do longo período de acompanhamento, a pesquisa tem uma limitação importante: trata-se de uma análise observacional.

Isso significa que os resultados mostram que determinados padrões de sono estavam associados a diferentes condições de saúde, mas não permitem afirmar que um causou o outro.

Uma doença, por exemplo, também pode alterar a qualidade do sono. Outros fatores relacionados ao estilo de vida e às condições de saúde podem igualmente influenciar os dois aspectos.

Ainda assim, os resultados ajudam a ampliar a compreensão sobre o descanso e indicam que avaliar o sono envolve mais do que simplesmente contar quantas horas uma pessoa permanece na cama.

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.