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OMS defende calendário vacinal após Trump determinar redução do número de vacinas infantis

OMS defende calendário vacinal após Trump determinar redução do número de vacinas infantis

Reuters

11/08/2026

Placeholder - loading - Presidente dos EUA, Donald Trump, assina decreto sobre vacinas na Casa Branca   10 de agosto de 2026   REUTERS/Kylie Cooper
Presidente dos EUA, Donald Trump, assina decreto sobre vacinas na Casa Branca 10 de agosto de 2026 REUTERS/Kylie Cooper

Por Olivia Le Poidevin

GENEBRA, 11 Ago (Reuters) - A Organização ​Mundial da Saúde defendeu nesta terça-feira o processo baseado em evidências científicas utilizado para determinar os calendários de vacinação infantil, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter assinado um decreto com o objetivo de reduzir o número de vacinas infantis recomendadas no país.

Na segunda-feira, Trump assinou um decreto determinando a redução do calendário de vacinação infantil para 11 vacinas. Trump afirmou que a medida vai proporcionar às crianças norte-americanas uma proteção “padrão-ouro” e alinhar os EUA mais estreitamente com outros países desenvolvidos que recomendam menos vacinas.

Especialistas em vacinas afirmam que outros países desenvolvidos que podem recomendar menos ⁠vacinas enfrentam ⁠riscos diferentes de doenças e possuem sistemas ​de saúde ‌distintos.

O decreto promove um objetivo de longa data do secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que tem questionado a segurança das vacinas e promovido alegações que associam vacinas ao autismo, embora estudos científicos e autoridades de saúde pública não tenham ⁠encontrado evidências de tal relação.

O porta-voz da OMS Tarik Jašarević disse em uma ​coletiva de imprensa em Genebra que as recomendações de vacinação se baseiam em mais de ​60 anos de pesquisas realizadas pela OMS, autoridades nacionais ‌e grupos de especialistas ​independentes.

O ⁠momento da aplicação de cada vacina foi determinado por meio de uma extensa análise científica sobre quando as pessoas estavam mais vulneráveis a determinadas doenças e sobre o desenvolvimento do sistema imunológico, explicou Jašarević ​aos repórteres em Genebra.

Jašarević disse que os países geralmente contam com grupos técnicos consultivos nacionais de imunização, compostos por especialistas multidisciplinares que fornecem recomendações independentes e baseadas em evidências aos governos e aos gestores de programas de vacinação. Esses grupos, segundo ele, se baseiam nas orientações do ​Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage), da OMS, ao estabelecer os calendários nacionais.

“O que a OMS apresenta tem base científica”, declarou Jašarević.

“Esperamos que todos os países utilizem essas melhores evidências científicas de que dispomos.”

VACINAS SEPARADAS PARA SARAMPO, CAXUMBA E RUBÉOLA

O decreto de Trump gerou críticas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas, que afirmam não haver novas evidências científicas que justifiquem as mudanças e que o calendário vigente nos EUA reflete décadas de evidências e as ​necessidades específicas de saúde dos norte-americanos, rejeitando a comparação com outros países.

Médicos alertaram que reduzir o número ‌de vacinas recomendadas pode deixar mais crianças ⁠vulneráveis a doenças evitáveis e criar confusão entre os pais sobre quando as crianças devem ser imunizadas.

A ordem de Trump também recomenda separar a vacina combinada contra sarampo, caxumba e ⁠rubéola em três injeções individuais. A fabricante de vacinas MSD afirmou ⁠que não há evidências científicas publicadas que ⁠demonstrem um benefício na ⁠divisão ​da vacina e alertou que consultas separadas pode aumentar o risco de atrasos ou omissões na vacinação.

Reuters

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