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ONS aumenta envio de energia do Nordeste ao Sudeste, mas normalização só ocorrerá em 2024

ONS aumenta envio de energia do Nordeste ao Sudeste, mas normalização só ocorrerá em 2024

Reuters

27/09/2023

Placeholder - loading - Torres de transmissão de energia elétrica no Pará 30/03/2010 REUTERS/Paulo Santos
Torres de transmissão de energia elétrica no Pará 30/03/2010 REUTERS/Paulo Santos

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai aumentar nesta semana em 2 mil megawatts (MW) o intercâmbio de energia elétrica gerada no Nordeste para o Sudeste, que foi fortemente reduzido por segurança após o apagão de 15 de agosto, mas uma normalização só deve ocorrer em meados de 2024, disse à Reuters o diretor-geral do órgão, Luiz Carlos Ciocchi.

Para compensar essa 'perda' da geração vinda do Nordeste, sobretudo das fontes eólica e solar, o operador tem despachado mais usinas hidrelétricas e térmicas em horários de ponta e quando há pico de demanda de energia, acrescentou ele.

O ONS adotou uma postura mais conservadora na operação do sistema elétrico após o apagão de 15 de agosto que afetou praticamente todo o país e cujas causas só foram totalmente diagnosticadas mais de um mês depois.

Os envios de energia do Nordeste aos centros de consumo do Sudeste e Sul foram reduzidos de 10 mil MW a cerca de 5 mil MW, situação que tem desagradado geradores eólicos e solares, que dizem ter prejuízos financeiros com a limitação da produção de suas usinas.

O retorno total do intercâmbio Nordeste-Sudeste só ocorrerá em julho de 2024, após a implementação de mais de 500 medidas que visam evitar novas falhas técnicas como as que causaram o apagão do mês passado.

Na minuta do Relatório de Análise de Perturbação (RAP) publicada no início desta semana, o ONS apontou a necessidade de adoção de 'centenas' de providências pelos agentes do setor, a fim de evitar que um apagão como esse se repita, e para acelerar o tempo de resposta do sistema nessas ocorrências.

'Hoje já devemos fazer uma flexibilização, mas não voltar a ser o que era antes (do apagão). Vamos buscar um equilíbrio', disse Ciocchi em entrevista exclusiva à Reuters.

A expectativa é que, já com um panorama mais detalhado do apagão, o intercâmbio Nordeste-Sudeste suba para ao menos 7 mil MW.

'Uma vez tendo identificado a causa... fazemos simulações para ver como o sistema reage para ampliar a vinda da energia das renováveis para Sudeste e Sul. Voltar ao normal só voltará quando tudo estiver implementado até julho de 2024', adicionou ele.

Ciocchi frisou que, se essas medidas forem adotadas antes de meados do próximo ano, o ONS pode reavaliar o intercâmbio de energia para a região Sudeste.

O diretor-geral do ONS afirmou que tem sido procurado por operadores de redes elétricas de outros países para contar a inédita experiência do apagão registrado no Brasil em agosto.

Ele revelou ainda que tem conversado com associações do setor elétrico após a divulgação da minuta do RAP e que não houve questionamentos ou reclamações sobre as mais de 500 medidas a serem implementadas pelos agentes até o próximo ano.

Na avaliação de Ciocchi, as obrigações não trarão impacto para produtores de equipamentos, agentes do setor ou consumidores e que, se houver, será pequeno e na casa decimal.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

Reuters

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