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ONU prevê aquecimento global mais intenso, mesmo no melhor dos cenários

ONU prevê aquecimento global mais intenso, mesmo no melhor dos cenários

Reuters

21/10/2026

Placeholder - loading - Estátua de gelo representando um agricultor, colocada por ativistas do Greenpeace, derrete sob o sol durante manifestação para destacar impactos do aquecimento global perto do Coliseu, em Roma 15 de j
Estátua de gelo representando um agricultor, colocada por ativistas do Greenpeace, derrete sob o sol durante manifestação para destacar impactos do aquecimento global perto do Coliseu, em Roma 15 de j

Por Simon Jessop

LONDRES, 21 Out (Reuters) - O aquecimento ​global deve ser mais intenso que as projeções anteriores, mesmo no cenário mais otimista, com as temperaturas médias subindo para 1,7 a 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até meados do século, segundo um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Apesar da rápida expansão das energias renováveis e das políticas climáticas que estão reduzindo as emissões em muitos países, o relatório afirmou que ainda são necessárias reduções “urgentes e rigorosas” para alcançar esse melhor cenário possível.

O relatório do Programa das Nações Unidas para ⁠o ⁠Meio Ambiente (PNUMA) indicou que as emissões ​de gases ‌de efeito estufa precisariam cair 18% em relação aos níveis de 2025 até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. Os planos nacionais atuais reduziriam as emissões em apenas 5% a 8% até 2030 e ⁠11% a 15% até 2035.

O relatório projetou um aquecimento global de ​2,8 graus Celsius até 2100 sob as políticas atuais, ou 2,6 °C caso os ​países implementem integralmente os compromissos climáticos existentes. Ambas ‌as estimativas são ​superiores às ⁠projeções do ano passado, refletindo a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e as avaliações revisadas das emissões históricas.

Enquanto os países se preparam para a próxima ​rodada de negociações climáticas na Turquia, a COP31, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que é crucial não desistir dos esforços para conter as emissões que estão causando inundações, incêndios e outros desastres naturais.

“Ultrapassar a meta não significa ​desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível – e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, disse ele.

De acordo com o Acordo de Paris de 2015, os países concordaram em tentar manter o aumento médio da temperatura bem abaixo de 2 graus e, idealmente, em 1,5°C.

Como limitar o aquecimento a 1,5°C sem ultrapassagem ou ​com ultrapassagem limitada não é mais considerado possível, o PNUMA disse que seu novo ‌cenário de ultrapassagem “mais baixo possível” oferece ⁠cerca de 50% de chance de que as temperaturas possam retornar a 1,5°C ou menos até 2100.

O relatório indicou que os planos climáticos apresentados desde o ⁠ano passado praticamente não alteraram as projeções de ⁠aquecimento futuro e que o retorno ⁠à meta de 1,5°C ⁠dependeria ​da remoção de carbono em grande escala, cuja viabilidade é incerta.

(Reportagem de Simon Jessop)

Reuters

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