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    Lealdade é uma estrada de mão dupla, diz Mourão após exonerar assessor

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    Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no Palácio do Planalto 08/12/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    BRASÍLIA (Reuters) - O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira de manhã que 'lealdade é um estrada de mão dupla', após o Diário Oficial da União ter trazido a demissão de Ricardo Roesch Morato Filho, assessor parlamentar dele que teve vazadas mensagens trocadas com um assessor parlamentar em que se busca tratar de um eventual impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

    'Eu prezo por demais o princípio da lealdade, a lealdade é uma estrada de mão dupla, ela é minha com meus subordinados e deles comigo. No momento em que isso é rompido, se rompe um elo que não dá para trabalhar mais junto', disse ele pela manhã.

    Nas mensagens reveladas pelo site O Antagonista, Morato aparece dizendo a seu interlocutor que era preciso conversar e que Mourão era 'mais preparado' e 'mais político' que Bolsonaro. O interlocutor responde que não pode conversar sobre esse tipo de assunto.

    Primeiro, o vice-presidente negou que a conversa existisse e disse que ninguém de sua equipe teria esse tipo de comportamento. Confrontado com as mensagens, Mourão decidiu exonerar o assessor e disse que Morato agiu contra suas orientações.

    O assessor disse ao site que achava ter sido hackeado, mas depois afirmou que poderia ter dado uma opinião pessoal que passou como se fosse do vice-presidente. Mourão afirmou que não acreditava nas desculpas do assessor.

    ELEIÇÃO NA CÂMARA

    O DO também trouxe a exoneração temporário dos ministros Onyx Lorenzoni, da Cidadania, e Tereza Cristina, da Agricultura, ambos deputados federais pelo DEM, para estarem aptos a votarem no candidato do governo, Arthur Lira (PP-AL), à presidência da Câmara na próxima segunda-feira.

    Apesar de os dois serem do partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que patrocina a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), de oposição à Lira, há um racha no partido e Lira pode ter até metade dos votos dos Democratas, que hoje tem 29 deputados.

    Onyx não tem boa relação com Maia. Já Tereza tem boa relação com todas as alas do partido, mas é ligada aos parlamentares da bancada ruralista, que apoiam Lira.

    De acordo com integrantes do governo, apesar dos rumores de uma reforma ministerial que inclusive envolveria a mudança de Onyx da Cidadania para a Secretaria-Geral da Presidência, os dois ministros voltarão aos mesmos cargos assim que for concluída a eleição na Câmara.

    Lira lidera a bolsa de apostas para a eleição, com apoio explícito do presidente Jair Bolsonaro, que se envolveu diretamente no processo, o que não é comum. Essa semana, Bolsonaro recebeu parlamentares do PSL para um café da manhã e, no final, em live da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) declarou que planejava conseguir influenciar a eleição. Na quinta, em discurso em Sergipe, disse que esperava ver na próxima semana Lira no comando da Casa.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu. Reportagem adicional de Ricardo Brito)

    Escrito por Reuters

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