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Papa Leão está bem de saúde e não precisa de medidas adicionais  para viagem à América do Sul, diz Vaticano

Papa Leão está bem de saúde e não precisa de medidas adicionais  para viagem à América do Sul, diz Vaticano

Reuters

03/11/2026

Placeholder - loading - O papa Leão acena após a audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano 28 de outubro de 2026 REUTERS/Remo Casilli
O papa Leão acena após a audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano 28 de outubro de 2026 REUTERS/Remo Casilli

Por Joshua McElwee

CIDADE DO VATICANO, 3 Nov (Reuters) - O papa Leão 14 está ​bem de saúde e pronto para partir nesta semana para uma intensa viagem a três países da América do Sul, menos de um mês após sua cirurgia de câncer de pulmão, informaram autoridades do Vaticano nesta terça-feira, acrescentando que nenhuma precaução médica adicional estava sendo tomada para a viagem.

Leão, de 71 anos, parte na sexta-feira para uma viagem de 12 dias ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, que deve ser uma das mais intensas realizadas por um papa nas últimas décadas. Ele passou por uma cirurgia em 13 de outubro para remover o lobo inferior do pulmão direito.

“O papa está com boa saúde”, disse o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, em uma coletiva. “Não estamos falando de uma condição permanente. Estamos falando de algo de que se recupera, porque se trata de uma cirurgia.”

O diagnóstico de câncer de Leão, que se tornou papa em maio de 2025, causou choque ⁠e levantou questões sobre ⁠o futuro de seu papado enquanto ele lida com ​a doença.

O arcebispo ‌Paul Gallagher, ministro das Relações Exteriores do Vaticano, disse na semana passada que o problema de saúde foi “uma espécie de virada de jogo” na forma como os católicos veem a saúde de Leão e seu futuro papado.

NENHUMA MEDIDA MÉDICA ADICIONAL PARA A VIAGEM

Leão foi tratado de adenocarcinoma de pulmão, a forma mais comum de câncer de pulmão. Seus médicos afirmaram que os exames do tecido removido na ⁠cirurgia confirmaram que a doença estava localizada e que ele não precisaria de nenhum tratamento adicional.

Bruni disse que ​Leão se recuperou o suficiente de modo que nenhuma medida médica adicional seria necessária durante sua viagem.

A equipe médica do Vaticano que costuma ​viajar com o papa o fará, sem alterações, e as ambulâncias que normalmente fazem ‌parte da comitiva do papa em ​visitas ao ⁠exterior estarão presentes, assim como nas visitas anteriores, disse ele.

“Sempre há médicos, sempre há enfermeiros, sempre há certas condições básicas”, disse ele. “Não vou entrar em mais detalhes porque a situação não exige isso.”

Maria Montserrat Alvarado, a nova chefe do vasto aparato de comunicação do Vaticano, disse na coletiva que a ​resistência de Leão era “fantástica”.

“Eu não teria nenhum receio”, disse ela. “Seus médicos estão muito confiantes.”

ESPECIALISTAS MÉDICOS AFIRMAM QUE RISCO DE COMPLICAÇÕES PARA O PAPA É BAIXO

Durante sua viagem de 6 a 17 de novembro, Leão deve percorrer cerca de 31.000 km por 10 cidades e proferir 36 discursos.

O Vaticano reiterou nesta terça-feira que a viagem seguirá sem alterações no itinerário previamente definido, que inclui 12 voos e duas viagens de helicóptero.

No Peru, o ​papa fará uma parada em Cusco, cidade situada na cordilheira dos Andes a 3.399 m acima do nível do mar, onde os viajantes podem passar mal por conta da altitude ou precisar de oxigênio suplementar.

Especialistas médicos disseram à Reuters que a decisão dos médicos de Leão de liberá-lo para voar deve indicar que o risco de complicações decorrentes de sua cirurgia era baixo, que seu pulmão operado havia se expandido totalmente e que quaisquer feridas cirúrgicas estavam cicatrizando sem sinais de infecção.

“Não creio que o papa enfrente riscos específicos ou precise tomar precauções específicas para sua viagem”, disse a dra. Serena Ricciardi, especialista em câncer de pulmão do Hospital San Camillo Forlanini, em Roma.

O dr. Antonio Passaro, chefe de oncologia torácica ​do Instituto Europeu de Oncologia, um hospital de pesquisa em Milão, disse que o procedimento ao qual o papa foi submetido “não é, por si só, ‌um obstáculo para viagens aéreas ou para retomar atividades extenuantes”.

“O ⁠que importa não é apenas o procedimento em si, mas, acima de tudo, a qualidade da recuperação e a condição funcional da pessoa”, disse Passaro.

Devido ao intenso itinerário da viagem, incluindo as paradas em altitudes elevadas no Peru, os médicos de Leão provavelmente aconselharão o papa a ⁠fazer pausas para descanso e a considerar o uso de oxigênio suplementar, conforme necessário, disse ⁠Passaro.

“Naturalmente, uma viagem complexa envolvendo vários voos e tempo passado em ⁠altitude elevada requer certas precauções, particularmente ⁠no ​que diz respeito à oxigenação, ao controle da fadiga e à necessidade de períodos de descanso adequados”, disse ele.

(Reportagem de Joshua McElwee;Edição de Rod Nickel)

Reuters

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