Papa pede esforço global para enfrentar crise da dívida de países pobres
Papa pede esforço global para enfrentar crise da dívida de países pobres
Reuters
05/06/2024
CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O mundo precisa fazer mais para reduzir o ônus da dívida enfrentado por países de baixa renda, a fim de evitar que eles entrem em um ciclo de pobreza e desespero, disse o papa Francisco nesta quarta-feira.
Os níveis da dívida global atingiram um recorde de 313 trilhões de dólares em 2023, com as economias em desenvolvimento atingindo um novo pico na relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com um estudo divulgado neste ano.
Ao discursar em uma conferência no Vaticano sobre a emergência da dívida no sul global, o papa Francisco disse que o problema está causando 'miséria e angústia' para milhões de pessoas em todo o mundo.
'Para tentar quebrar o ciclo de financiamento da dívida, é necessário criar um mecanismo multinacional que leve em conta a natureza global do problema e suas implicações econômicas, financeiras e sociais', disse.
Em 2020, os países do G20 concordaram com uma 'estrutura comum' para facilitar o processo de reestruturação da dívida e ajudar países pobres a se reerguerem, mas o progresso tem sido lento.
A Zâmbia levou quase quatro anos para sair da inadimplência, o que deixou algumas lições difíceis para os países mais ricos sobre o desempenho de seu tão alardeado plano de alívio da dívida.
No momento, não existe uma lei internacional abrangente que regule as falências internacionais.
'A ausência desse mecanismo favorece a mentalidade do 'cada um por si', em que os mais fracos sempre perdem', disse o papa.
'Nenhum governo pode exigir moralmente que seu povo sofra privações incompatíveis com a dignidade humana', acrescentou.
A Igreja Católica deve realizar um Ano Santo, ou Jubileu, em 2025 -- um dos momentos mais importantes do calendário católico -- e o papa já pediu aos países ricos que marquem o evento oferecendo alívio da dívida aos países pobres.
(Por Crispian Balmer)
Reuters

