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PARCERIA ENTRE NASA E SPACEX CHEGA AOS 20 ANOS

TELESCÓPIO ROMAN ABRE NOVO CAPÍTULO DA PARCERIA INICIADA EM 2006

João Carlos

03/08/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

Poucos dias depois de completar duas décadas de parceria, NASA e SpaceX se preparam para escrever um novo capítulo de sua história. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman tem lançamento previsto para 30 de agosto, a bordo de um foguete Falcon Heavy, que partirá do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

A missão está cerca de nove meses à frente do cronograma originalmente previsto. Em 25 de julho, engenheiros concluíram o abastecimento do observatório com 290 galões de hidrazina, combustível que será utilizado durante a viagem e nas manobras que posicionarão o telescópio em sua órbita operacional.

Uma aposta que começou em 2006

A história entre NASA e SpaceX começou oficialmente em 18 de agosto de 2006. Naquele dia, a agência selecionou a então jovem empresa para o programa Commercial Orbital Transportation Services, o COTS, criado para desenvolver alternativas privadas de transporte de cargas até a Estação Espacial Internacional. O acordo inicial destinava US$ 278 milhões à SpaceX, com pagamentos vinculados ao cumprimento de etapas técnicas.

O primeiro grande resultado apareceu em maio de 2012, quando a cápsula Dragon se tornou a primeira nave comercial a chegar à estação espacial, entregar carga e retornar em segurança à Terra. O salto seguinte ocorreu em maio de 2020: a missão Demo-2 levou os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley ao espaço e marcou o primeiro lançamento tripulado dos Estados Unidos desde o encerramento do programa dos ônibus espaciais, em 2011.

Desde então, a parceria deixou de transportar apenas mantimentos e passou a alcançar áreas como voos regulares de astronautas e grandes missões científicas. O Falcon Heavy já lançou para a NASA as sondas Psyche, em 2023, e Europa Clipper, em 2024. Para colocar o Roman no espaço, a agência concedeu à SpaceX um contrato de aproximadamente US$ 255 milhões, valor que inclui o serviço de lançamento e outros custos relacionados à missão.

O universo em grande angular

Créditos da imagem: NASA/Jolearra Tshiteya

Batizado em homenagem à primeira chefe de astronomia da NASA, considerada uma das principais responsáveis por preparar o caminho para o Hubble, o telescópio Roman terá um espelho principal de 2,4 metros, o mesmo diâmetro do Hubble. Seu diferencial estará na escala: o campo de visão será pelo menos 100 vezes maior, permitindo registrar extensas regiões do céu em uma única imagem.

Após o lançamento, o observatório seguirá para o ponto de Lagrange L2, a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra. A região também abriga o James Webb, mas os dois telescópios terão estratégias complementares. Enquanto o Webb concentra sua potência em alvos específicos e muito distantes, o Roman funcionará como uma câmera panorâmica cósmica, procurando padrões, eventos raros e objetos que depois poderão ser examinados em detalhes.

Entre os principais objetivos estão investigar a energia escura, compreender melhor a distribuição da matéria escura, medir a luz de até um bilhão de galáxias e descobrir milhares de exoplanetas. Um coronógrafo experimental também bloqueará o brilho de estrelas para testar tecnologias capazes de fotografar diretamente planetas que orbitam ao redor delas.

Toda essa visão panorâmica produzirá mais de 1,4 terabyte de dados por dia, disponibilizados publicamente. A quantidade revela o tamanho da mudança: a parceria que começou tentando provar que uma empresa privada poderia transportar cargas até a órbita agora se prepara para levar um dos principais observatórios científicos da NASA a cerca de quatro vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Duas décadas depois do primeiro acordo, o lançamento do Roman resume a evolução de NASA e SpaceX: das viagens de abastecimento aos astronautas, dos astronautas às grandes missões interplanetárias e, agora, a um novo mapa do universo. Um aniversário celebrado em grande angular.

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